Postado por Kamadon
Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'
O que é ter vaidade? É orgulhar-se da sua estampa... Uma pessoa vaidosa é aquela que se orgulha da sua estampa, se sente bem com ela.
A partir daí a primeira coisa que temos que deixar bem claro: vaidade não tem nada a ver com padrões de beleza. Vocês acham que apenas quem se arruma bem é vaidoso, mas aquele que tem orgulho de ser desarrumado é vaidoso. Ou seja, ele pode até ser desleixado, dentro dos padrões humanos, mas é vaidoso porque tem orgulho da sua estampa.
Este é o primeiro detalhe que temos que perceber quando a mente cria a ideia de estar vaidoso. Vaidade não depende de uma determinada roupa, limpeza ou de um determinado cheiro. Vaidade é uma formação mental, um pensamento, que reflete o orgulho da sua própria estampa.
Portanto, não adianta quebrar paradigmas andando de chinelo de dedo e calça e camisa rasgadas para mostrar que não é vaidoso, pois é. É orgulhoso da sua calça e camisa rasgada, do seu chinelo.
Precisamos ter cuidado com este detalhe porque a mente cria padrões de certo e quando nos orgulhamos dos nosso certos, somos vaidosos. Para uns este padrão é a roupa limpa, nova, bem passada; para outros é a roupa arrebentada, rasgada, sem estar bem passada. Não importa o que seja, tudo é padrão. Tudo é o certo de ser usado. Mostra aos outros que você é uma pessoa que não está presa a nada.
Quando se fala em ter vaidade temos que ter muito cuidado porque só nos acostumamos julgar como vaidoso aquele que anda bem arrumado. Por isso aceitamos quando a mente nos diz que nós não somos vaidosos porque não andamos bem arrumados. Aí, quando a mente diz que é certo ser desarrumado e nós aceitamos isso, o que acontece? Nos tornamos vaidosos e nem sabemos...
Este é o primeiro grande detalhe que temos que ter em mente: a vaidade independe do nosso estado, da nossa estampa, mas é algo que se prende ao nosso conjunto de certo.
Libertar-se da vaidade não é usar chinelo de dedo, mas sim não aceitar o padrão de certo que a mente cria. Não aceitar que a mente crie que você só pode sair de casa com a camisa bem passada ou furada. Não aceitar quando a mente diz que aquela é a roupa adequada para onde você vai. Aceitando isso se transformará em vaidoso: 'Eu estou vestido de acordo com o ambiente'...
Para realmente poder libertar-se da vaidade é preciso retirar a ideia de que vaidoso é quem se submete a um determinado padrão e entender que vaidoso é aquele que aceita o padrão certo que a mente cria.
Como libertar-se da vaidade? Não aceitando o padrão criado pela mente como certo, como obrigatório. 'Não mente, não tenho que estar de chinelo de dedo. Se andar com ele, tudo bem, mas se não andar, também tudo bem. Eu não vou entrar na sua que tenho que estar de chinelo de dedo ou que tenho que estar com sapato de couro'...
Seguir os padrões de certo lhes prendem ao sofrimento ou ao prazer. Isso porque eles levam ao pensamento do 'eu gosto', 'eu me sinto bem', 'isso é que é o certo de ser feito'. É preciso ter atenção a todo esse conjunto de pensamentos que diz que vocês gostam ou se sentem bem, quando isso é apenas uma criação da mente. Vocês não se sentem bem. Aliás, nem a mente se sente: ela lhes dá a ideia de estar se sentindo assim. Nem ela nem vocês vivem emoções...
Portanto, é preciso que vocês no aqui e agora reconheçam a mente usando um padrão de certo, de gosto, de estar de acordo, para não aceitá-los como certo, bonito ou de acordo. Para isso digam para a mente: 'Eu estou assim, mas não sei se gosto ou está certo estar assim'...
Mas, há mais um detalhe no tema 'ter vaidade' que precisamos abordar... Vamos a ele...
Na primeira análise que fizemos, descobrimos que o tema não é 'ter vaidade', mas 'estar vaidoso' por estar seguindo o nosso padrão de certo, de bonito e do tem que ser assim. Para quem entra nessa, ou seja, aceita os padrões que a mente cria, sabe qual é o fim? Transformar- se em um julgador do próximo...
Quem aceita quando a mente diz que existe determinada roupa certa para se estar, vai aceitar quando ela julgar o outro. Vai achar o próximo errado, chulo, rebelde, que não presta...
Não tem como você sair do julgamento do próximo se ainda acreditar no padrão que a mente cria. Se você, por acreditar na mente, achar que existe uma roupa certa para se vestir, uma maquiagem certa para aquela ocasião, uma postura certa para se realizar determinada coisa, vai julgar todo mundo que não estiver dentro dele...
Aliás, não é só quem estiver fora dele que será julgado, mas quem estiver dentro também será julgado. Isso porque certo e errado são sentenças de um julgamento.. . São decisões tomadas depois de uma análise. Esta análise é um julgamento.. .
Sabe, vocês me falam muito nos ensinamentos de Cristo, dizem que devemos seguí-los, mas ainda não entenderam que julgam todos o tempo inteiro. Isso porque qualquer opinião que se tenha sobre alguém ou alguma coisa é o veredito de um julgamento.
Falam em cumprir o ensinamento de Cristo, mas ainda não entenderam que não há como escapar do julgamento sem eliminar os padrões de certo e errado, bonito e feio, limpo e sujo, arrumado e desarrumado. .. Enquanto vocês tiverem padrões para balizar a vida, irão julgar o próximo. O julgamento nesse caso, é decorrência natural da existência de um padrão...
Este tema foi muito importante para nós, não por ele mesmo, mas porque o sub-produto da vaidade é o julgar o próximo...
Quero aproveitar, ainda, para falar de um termo que usei aqui. Disse que a vaidade é o orgulho da estampa. Este termo (orgulho) não foi perfeitamente empregado. Na verdade o que o vaidoso tem é soberba...
A soberba existe quando você joga o seu orgulho sobre o outro, ou seja, se considera o certo, o melhor, o mais bem vestido, o que está fazendo determinada coisa como ela deve ser feita, aquele que realiza tudo...
O vaidoso é soberbo porque toda vaidade acaba num julgamento. Isso porque ele não se contenta em aceitar que está bem vestido, mas julga como os outros estão.
Portanto, a vaidade não é o orgulho da sua estampa, pois orgulho é outra coisa: é ter a sensação do dever cumprido. Já soberba é ter a sensação do dever cumprido e dizer que o outro não cumpriu o dele ou dizer que você fez melhor do que ele... Vaidade, então, é ter soberba...
Não existe vaidoso que não seja soberbo. Vaidoso humilde? Não existe... Andar de chinelo de dedo e blusa rasgada não é sinal de humildade não... Como já falei diversas vezes, tem muito pobre que come arroz com feijão e arrota caviar. Assim como tem muito rico que come caviar e arrota arroz e feijão...
Agora, tudo isso que estamos falando não é de você-observador: é criação da mente. O seu problema não é ser o que falei aqui, mas tornar-se tudo isso por compactuar com a mente.
Como já tinha dito, quando se apega às verdades da mente, não existe moeda só com um lado: toda ela tem dois lados. Se você aceita o padrão de certo, não poderá escapar do julgamento.
Agora, quando compactua com isso, se é cristão, você acabou de ferir aquilo que diz que acredita... Para os cristãos, lembro ainda de mais um ensinamento de Cristo: não julgue para não ser julgado. Nesta máxima é que aparece o segundo sub-produto da vaidade...
Você, o observador, vamos dizer assim, já começou a rolar o precipício quando sentiu-se vaidoso. Desceu mais um pouco quando julgou o outro. Mas, acaba de cair quando reclama que o outro está lhe julgando. Ou seja, você tem o direito de julgá-lo, mas ele não tem o direito de fazer a mesma coisa com você?
Veja como uma coisa vai levando a outra. Isso é um fluxo mental que não para. Se você aceita o padrão de certo, vai aceitar a vaidade. Aceitando-a, vai aceitar também a soberba. Esta aceitação lhe levará a aceitação do julgamento. Aceitando-o, a aceitação da crítica a quem lhe julgou é inexorável...
Nesta vida tudo se encadeia, tudo se liga a outra coisa. Não dá para querer deixar de criticar o outro sem julgá-lo. Não para deixar de julgar, sem ter a soberba que está certo. Não para deixá-la sem libertar-se dos padrões de certo e errado.
Eu sempre disse: vocês precisam começar a mergulhar fundo no mar mental. Na verdade, no trabalho de cada um, vocês ainda estão navegando nas ondas, sobre o mar. Querem acabar com a vaidade, mas isso não se faz sem destruir os padrões de certo e errado. Querem deixar de criticar, mas isso é impossível se ainda houver a soberba (eu estou certo)...
Ninguém esvazia uma piscina estando no meio dela. É preciso descer até o fundo dela para puxar a rolha. Neste caso, a rolha é os padrões: certo, bonito, limpo, arrumado, saúde, doença, correto... É aquelas coisas que a mente têm como reais, mas que são verdades relativas: só servem para você mesmo.
Se você não for a fundo, não tirará a rolha. Se não fizer isso, não há como esvaziar a piscina. E não há como retirá-la estando na superfície ou no meio da piscina...
sábado, 22 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
"Mensagem do Espírito da Verdade"
Postado por Kamadon
"O VAZIO CRIADOR"
Amados seres,
Escutem! Despertem sem medo porque vocês já me conhecem. Eu sou apenas um reflexo do ser ou a consciência de vocês ampliada. Portanto, não há o que temer.
Eras e eras se escoaram até que a escuridão se dissipasse, para que finalmente presenciássemos o alvorecer dourado, onde todos irão se reconhecer como filhos da Luz!
Venho lhes falar de um tempo novo, o que chamam de nova era. Na verdade, não é algo novo que vai acontecer, mas o despertar completo, amadurecido de todos aqueles que já vinham se preparando há tanto tempo para essa jornada...
Houve um longo processo para que chegassem até aqui. No plano divino, amorosamente trabalhamos e aguardamos o momento em que estivessem em condições de se revelarem. Vocês já não precisam agir como crianças, por isso a verdade está pulsando mais forte em suas consciências, porque agora têm capacidade de assimilar o que é essencial em suas vidas e de fazerem suas escolhas. Os véus do esquecimento tendem a se rasgarem, à medida que forem revelando suas verdadeiras identidades. E vocês verão o quão maravilhosos são!
O que demonstraram até aqui, foram apenas algumas partes de vocês sendo aprimoradas, porque esse é um dos objetivos desse longo aprendizado. Deixar vir à tona o que está incompleto, mal acabado para ser lapidado, purificado, recriado.
Por esta razão é extremamente importante que sejam honestos com vocês mesmos, abram seus corações e façam uma varredura de tudo o que precisa ser mudado. Vamos, coragem!
Eu sei que vocês temem encontrar o vazio. Mas não temam! Essa terrível ausência de alguma coisa é o prenúncio do grande encontro com o Ser Total. Na verdade, são suas consciências se expandindo, abrindo espaço para percepções mais elevadas. Necessitando mudar de dimensão para que possam se ampliar, aumentar suas auras, desdobrar seus vários seres e abrirem-se para o Universo...
Então, esqueçam este temor infantil e se permitam ir além do ponto em que chegaram. Vocês terão uma maravilhosa surpresa! Perceberão uma realidade nunca vista, talvez ingenuamente imaginada, onde sentirão uma jubilosa alegria transbordando em seus corações, reativando seus centros de força, potencializando suas energias, transformando tudo o que está estagnado em luz, amor e paz.
Vocês comprovarão aquilo que já sabiam, mas nunca tinham experimentado. Lembrarão do que lhes foi ensinado sobre a “Entrega aos braços do Pai” e compreenderão o grande amor que estava reservado todo esse tempo a vocês e que agora pode fluir naturalmente porque não devem haver mais barreiras. Sempre que necessitarem, podem fazer essa viagem interior, consultarem seus corações, ampliarem de novo suas consciências e atingirem a quietude universal...
Essa prática deve ser uma constante na vida de vocês e à medida que forem se familiarizando com esse encontro com o vazio, mais e mais irão perceber que estão se tornando um canal, um instrumento de recepção de conhecimentos mais elevados. A tendência é se deslumbrarem e ficarem como que extasiados diante da magia expressada. Mas não parem por aí, sigam em frente nessa busca reveladora, o desenvolvimento de vocês continua porque faz parte do ciclo evolutivo do ser.
As suas energias irão sendo permutadas por outras cada vez mais sutis e vocês atingirão outros níveis de percepção que os manterão sempre despertos nessa caminhada e descobrirão, enfim, que atingiram a plenitude da vida.
Isso é o resgate do paraíso que estava escondido dentro de vocês! Cultivem-no e ofereçam flores luminosas a seus semelhantes. Quando menos esperarem, estarão emitindo as mais puras luzes, irradiando-as por todo o universo... Então, experimentarã o a sublime presença dos anjos, e sentirão um amor incondicional pela vida! Verão que existe em seus corações um Centro de Consciência de onde vocês poderão enxergar o mundo inteiro!
“Procurai ver o mundo com mais amor. Ao vibrar amor, suas vibrações ficarão tão perto de vós, tão dentro de vós, que se transformarão em amor para vós mesmos. Procurai mentalizar a Harmonia e esta harmonia cada vez mais ficará gravada em vossa mente espiritual. Procurai vibrar e irradiar o Perdão e estas vibrações retornarão ao vosso ser e também sereis perdoados. Vibrai mais longe, com mais vontade e de tanto vibrar elevação e pureza, transformar- vos-eis em pequenas luzes que, unidas, iluminarão o caminho de muitos e os vossos próprios caminhos.”
(Do livro Gotas de Amor – Psicografia de Maria de Nazaré – 18/07/1974)
"O VAZIO CRIADOR"
Amados seres,
Escutem! Despertem sem medo porque vocês já me conhecem. Eu sou apenas um reflexo do ser ou a consciência de vocês ampliada. Portanto, não há o que temer.
Eras e eras se escoaram até que a escuridão se dissipasse, para que finalmente presenciássemos o alvorecer dourado, onde todos irão se reconhecer como filhos da Luz!
Venho lhes falar de um tempo novo, o que chamam de nova era. Na verdade, não é algo novo que vai acontecer, mas o despertar completo, amadurecido de todos aqueles que já vinham se preparando há tanto tempo para essa jornada...
Houve um longo processo para que chegassem até aqui. No plano divino, amorosamente trabalhamos e aguardamos o momento em que estivessem em condições de se revelarem. Vocês já não precisam agir como crianças, por isso a verdade está pulsando mais forte em suas consciências, porque agora têm capacidade de assimilar o que é essencial em suas vidas e de fazerem suas escolhas. Os véus do esquecimento tendem a se rasgarem, à medida que forem revelando suas verdadeiras identidades. E vocês verão o quão maravilhosos são!
O que demonstraram até aqui, foram apenas algumas partes de vocês sendo aprimoradas, porque esse é um dos objetivos desse longo aprendizado. Deixar vir à tona o que está incompleto, mal acabado para ser lapidado, purificado, recriado.
Por esta razão é extremamente importante que sejam honestos com vocês mesmos, abram seus corações e façam uma varredura de tudo o que precisa ser mudado. Vamos, coragem!
Eu sei que vocês temem encontrar o vazio. Mas não temam! Essa terrível ausência de alguma coisa é o prenúncio do grande encontro com o Ser Total. Na verdade, são suas consciências se expandindo, abrindo espaço para percepções mais elevadas. Necessitando mudar de dimensão para que possam se ampliar, aumentar suas auras, desdobrar seus vários seres e abrirem-se para o Universo...
Então, esqueçam este temor infantil e se permitam ir além do ponto em que chegaram. Vocês terão uma maravilhosa surpresa! Perceberão uma realidade nunca vista, talvez ingenuamente imaginada, onde sentirão uma jubilosa alegria transbordando em seus corações, reativando seus centros de força, potencializando suas energias, transformando tudo o que está estagnado em luz, amor e paz.
Vocês comprovarão aquilo que já sabiam, mas nunca tinham experimentado. Lembrarão do que lhes foi ensinado sobre a “Entrega aos braços do Pai” e compreenderão o grande amor que estava reservado todo esse tempo a vocês e que agora pode fluir naturalmente porque não devem haver mais barreiras. Sempre que necessitarem, podem fazer essa viagem interior, consultarem seus corações, ampliarem de novo suas consciências e atingirem a quietude universal...
Essa prática deve ser uma constante na vida de vocês e à medida que forem se familiarizando com esse encontro com o vazio, mais e mais irão perceber que estão se tornando um canal, um instrumento de recepção de conhecimentos mais elevados. A tendência é se deslumbrarem e ficarem como que extasiados diante da magia expressada. Mas não parem por aí, sigam em frente nessa busca reveladora, o desenvolvimento de vocês continua porque faz parte do ciclo evolutivo do ser.
As suas energias irão sendo permutadas por outras cada vez mais sutis e vocês atingirão outros níveis de percepção que os manterão sempre despertos nessa caminhada e descobrirão, enfim, que atingiram a plenitude da vida.
Isso é o resgate do paraíso que estava escondido dentro de vocês! Cultivem-no e ofereçam flores luminosas a seus semelhantes. Quando menos esperarem, estarão emitindo as mais puras luzes, irradiando-as por todo o universo... Então, experimentarã o a sublime presença dos anjos, e sentirão um amor incondicional pela vida! Verão que existe em seus corações um Centro de Consciência de onde vocês poderão enxergar o mundo inteiro!
“Procurai ver o mundo com mais amor. Ao vibrar amor, suas vibrações ficarão tão perto de vós, tão dentro de vós, que se transformarão em amor para vós mesmos. Procurai mentalizar a Harmonia e esta harmonia cada vez mais ficará gravada em vossa mente espiritual. Procurai vibrar e irradiar o Perdão e estas vibrações retornarão ao vosso ser e também sereis perdoados. Vibrai mais longe, com mais vontade e de tanto vibrar elevação e pureza, transformar- vos-eis em pequenas luzes que, unidas, iluminarão o caminho de muitos e os vossos próprios caminhos.”
(Do livro Gotas de Amor – Psicografia de Maria de Nazaré – 18/07/1974)
segunda-feira, 10 de maio de 2010
"A esquerda no século XXI."
Postado por Attman e Kamadon
Artigo de Slavoj Zizek
"Uma nova classe global está assim surgindo, "com, digamos, um passaporte indiano, um castelo na Escócia, um 'pied-à-terre' em Manhattan e uma ilha caribenha privada", escreve Slavoj Zizek. Segundo ele, "São Paulo, no Brasil de Lula, que hospeda 250 heliportos na área do centro da sua cidade" é um exemplo dos "cidadãos globais" que vivem em áreas isoladas.
"Para se isolar do perigo de se misturar com as pessoas comuns, - escreve Zizek -, o rico de São Paulo prefere usar os helicópteros, pois então, olhando o horizonte da cidade, sente-se verdadeiramente como se se encontrasse em uma megalópole futurista do gênero descrito em filmes como "Blade Runner" ou "O quinto elemento", com pessoas comuns que se aglomeram em ruas perigosas embaixo, enquanto o rico passeia em um nível mais alto, no ar".
Publicamos aqui um trecho do novo livro do filósofo esloveno Slavoj Zizek, "Dalla tragedia alla farsa. Ideologia della crisi e superamento del capitalismo" [Da tragédia à farsa. Ideologia da crise e superação do capitalismo], publicado na Itália pela editora Ponte alle Grazie. O texto foi publicado no jornal La Repubblica, 25-03-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
Doze anos antes do 11 de setembro, no dia 09 de novembro de 1989, caiu o Muro de Berlim. Esse evento parece ter anunciado o início dos "felizes anos 90", a utopia de Francis Fukuyama do "fim da história", a fé de que a democracia liberal venceria em linha de princípio, que o advento de uma comunidade liberal global estaria esperando logo depois da esquina, e que o obstáculo a esse feliz fim hollywoodiano seria meramente empírico e contingente (bolsões locais de resistência, cujos líderes ainda não teriam compreendido que o seu tempo havia acabado). O 11 de setembro, ao invés, simbolizou o fim do período clintoniano e iniciou uma era em que novos muros parecem surgir em todos os lugares: entre Israel e a Cisjordânia, ao longo da fronteira mexicana, mas também dentro dos próprios Estados-nação.
Em um artigo da Newsweek, Emily Flynn Vencat e Ginanne Brownell se referem a como hoje "o fenômeno do 'members-only' [apenas para membros] está se expandindo em um inteiro estilo de vida, incluindo tudo, desde as coalizões bancárias privadas até as clínicas de saúde apenas para convidados (...), aqueles que tem dinheiro estão crescentemente fechando toda a sua vida atrás de portas fechadas. Em vez de participar de grandes eventos midiáticos, eles organizam shows, desfiles de moda e exibições de arte em suas próprias casas. Vão fazer compras fora de horário e controlam rigorosamente a classe e a renda dos seus vizinhos (e potenciais amigos)".
Uma nova classe global está assim surgindo, "com, digamos, um passaporte indiano, um castelo na Escócia, um 'pied-à-terre' em Manhattan e uma ilha caribenha privada". O paradoxo é que os membros dessa classe global "jantam privadamente, fazem compras privadamente, veem arte privadamente, tudo é privado, privado, privado". Estão criando um ambiente vital próprio para resolver seu dilema hermenêutico angustiante. Como afirma Todd Millay: as famílias ricas não podem simplesmente "convidar pessoas e esperar que elas entendam o que é ter 300 milhões de dólares".
Então, quais são os seus contatos com o mundo externo? São de dois tipos: negócios e beneficência (proteção ao meio ambiente, luta contra as doenças, mecenatismo etc.). Esses cidadãos globais vivem a sua vida acima de tudo na natureza incontaminada – fazendo trekking na Patagônia ou nadando nas águas transparentes das suas ilhas privadas. Não podemos deixar de notar que uma das características de fundo da atitude desses ultrarricos que vivem nas suas torres de marfim é o medo: medo da vida social externa em si. A maior prioridade dos "ultrahigh-net-worth individuals" é, portanto, minimizar os riscos de segurança – doenças, exposição às ameaças de crimes violentos e assim por diante.
Na China contemporânea, o novo rico construiu para si comunidades isoladas modeladas à imagem idealizada das "típicas" cidades ocidentais. Perto de Xangai, por exemplo, existe uma réplica "real" de uma pequena cidadezinha inglesa, incluindo uma rua principal com um pub, uma igreja anglicana, um supermercado Sainsbury etc.: toda a área está isolada daquilo que a circunda por uma cúpula invisível, mas não menos real.
Não existe mais uma hierarquia entre grupos sociais que vivem na mesma nação, aqueles que residem nesta cidade vivem em um universo no qual, dentro do seu imaginário ideológico, o mundo ao redor de "classe inferior" simplesmente não existe. Esses "cidadãos globais" que vivem em áreas isoladas não representam talvez o verdadeiro polo oposto daqueles que vivem nas favelas e das outras "manchas brancas" da esfera pública? Com efeito, eles representam as duas faces da mesma moeda, os dois extremos da nova divisão de classe.
A cidade que melhor encarna essa divisão é São Paulo, no Brasil de Lula, que hospeda 250 heliportos na área do centro da sua cidade. Para se isolar do perigo de se misturar com as pessoas comuns, o rico de São Paulo prefere usar os helicópteros, pois então, olhando o horizonte da cidade, sente-se verdadeiramente como se se encontrasse em uma megalópole futurista do gênero descrito em filmes como "Blade Runner" ou "O quinto elemento", com pessoas comuns que se aglomeram em ruas perigosas embaixo, enquanto o rico passeia em um nível mais alto, no ar.
Parece assim que a utopia dos anos 90 de Fukuyama deveria morrer duas vezes, a partir do momento em que a queda da utopia política liberal-democrática do 11 de setembro não atingiu a utopia econômica do mercado capitalista global. Se o colapso financeiro de 2008 tem um significado histórico, então, é como sinal do fim da face econômica do sonho de Fukuyama. O que nos reporta à paráfrase marxiana de Hegel: é preciso lembrar que, na sua introdução a uma nova edição do "18 Brumário" nos anos 60, Herbert Marcuse acrescentou um novo enrijecimento: às vezes, a repetição à guisa de farsa pode ser mais terrificante do que a tragédia original.
Em um famoso debate na Universidade de Salamanca em 1936, Miguel de Unamuno lançou uma flechada aos franquistas: "Venceréis, pero no convenceréis" (Vencereis, mas não convencereis). Estaria aqui tudo o que a esquerda pode dizer hoje ao capitalismo global triunfante? A esquerda está predestinada a continuar desempenhando o papel daqueles que, ao contrário, convencem mas no entanto continuam perdendo (e são particularmente convincentes ao explicar retroativamente as razões da sua própria falência)?
A nossa tarefa é descobrir como dar um passo adiante. A nossa undécima tese deveria ser: nas nossas sociedades, a esquerda crítica só conseguiu até agora desonrar aqueles que estão no poder, enquanto o ponto real é castrá-los...
Mas como podemos conseguir isso? É necessário aprender com os fracassos da política da esquerda no século XX. A tarefa não é praticar a castração no ápice de um confronto direto, mas sim minar aqueles que estão no poder com um trabalho ideológico-crítico paciente, de modo que, mesmo que ainda estejam no poder, deem-se conta de repente que os poderosos encontram-se novamente falando com vozes inaturalmente finas.
Nos anos 60, Lacan chamou o jornal da sua escola, que foi publicado de maneira irregular por um breve período, de Scilicet. A mensagem não era o significado hoje predominante da palavra ("isto é", "ou seja", "quer dizer"), mas literalmente "é permitido saber". (Saber o quê? O que a Escola Freudiana de Paris pensa sobre o inconsciente...). Hoje, a nossa mensagem deveria ser a mesma: é permitido saber e comprometer-se plenamente no comunismo, agir novamente em plena fidelidade à ideia comunista. A permissividade liberal é da ordem do "videlicet" – é permitido ver –, mas o fascínio pela obscenidade que nos foi permitido observar nos impede de saber o que é que vemos.
Moral da história: o tempo da chantagem moralista liberal-democrática acabou. Não devemos mais continuar justificando-nos. Enquanto seria melhor para eles começar a fazer isso logo.
Artigo de Slavoj Zizek
"Uma nova classe global está assim surgindo, "com, digamos, um passaporte indiano, um castelo na Escócia, um 'pied-à-terre' em Manhattan e uma ilha caribenha privada", escreve Slavoj Zizek. Segundo ele, "São Paulo, no Brasil de Lula, que hospeda 250 heliportos na área do centro da sua cidade" é um exemplo dos "cidadãos globais" que vivem em áreas isoladas.
"Para se isolar do perigo de se misturar com as pessoas comuns, - escreve Zizek -, o rico de São Paulo prefere usar os helicópteros, pois então, olhando o horizonte da cidade, sente-se verdadeiramente como se se encontrasse em uma megalópole futurista do gênero descrito em filmes como "Blade Runner" ou "O quinto elemento", com pessoas comuns que se aglomeram em ruas perigosas embaixo, enquanto o rico passeia em um nível mais alto, no ar".
Publicamos aqui um trecho do novo livro do filósofo esloveno Slavoj Zizek, "Dalla tragedia alla farsa. Ideologia della crisi e superamento del capitalismo" [Da tragédia à farsa. Ideologia da crise e superação do capitalismo], publicado na Itália pela editora Ponte alle Grazie. O texto foi publicado no jornal La Repubblica, 25-03-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
Doze anos antes do 11 de setembro, no dia 09 de novembro de 1989, caiu o Muro de Berlim. Esse evento parece ter anunciado o início dos "felizes anos 90", a utopia de Francis Fukuyama do "fim da história", a fé de que a democracia liberal venceria em linha de princípio, que o advento de uma comunidade liberal global estaria esperando logo depois da esquina, e que o obstáculo a esse feliz fim hollywoodiano seria meramente empírico e contingente (bolsões locais de resistência, cujos líderes ainda não teriam compreendido que o seu tempo havia acabado). O 11 de setembro, ao invés, simbolizou o fim do período clintoniano e iniciou uma era em que novos muros parecem surgir em todos os lugares: entre Israel e a Cisjordânia, ao longo da fronteira mexicana, mas também dentro dos próprios Estados-nação.
Em um artigo da Newsweek, Emily Flynn Vencat e Ginanne Brownell se referem a como hoje "o fenômeno do 'members-only' [apenas para membros] está se expandindo em um inteiro estilo de vida, incluindo tudo, desde as coalizões bancárias privadas até as clínicas de saúde apenas para convidados (...), aqueles que tem dinheiro estão crescentemente fechando toda a sua vida atrás de portas fechadas. Em vez de participar de grandes eventos midiáticos, eles organizam shows, desfiles de moda e exibições de arte em suas próprias casas. Vão fazer compras fora de horário e controlam rigorosamente a classe e a renda dos seus vizinhos (e potenciais amigos)".
Uma nova classe global está assim surgindo, "com, digamos, um passaporte indiano, um castelo na Escócia, um 'pied-à-terre' em Manhattan e uma ilha caribenha privada". O paradoxo é que os membros dessa classe global "jantam privadamente, fazem compras privadamente, veem arte privadamente, tudo é privado, privado, privado". Estão criando um ambiente vital próprio para resolver seu dilema hermenêutico angustiante. Como afirma Todd Millay: as famílias ricas não podem simplesmente "convidar pessoas e esperar que elas entendam o que é ter 300 milhões de dólares".
Então, quais são os seus contatos com o mundo externo? São de dois tipos: negócios e beneficência (proteção ao meio ambiente, luta contra as doenças, mecenatismo etc.). Esses cidadãos globais vivem a sua vida acima de tudo na natureza incontaminada – fazendo trekking na Patagônia ou nadando nas águas transparentes das suas ilhas privadas. Não podemos deixar de notar que uma das características de fundo da atitude desses ultrarricos que vivem nas suas torres de marfim é o medo: medo da vida social externa em si. A maior prioridade dos "ultrahigh-net-worth individuals" é, portanto, minimizar os riscos de segurança – doenças, exposição às ameaças de crimes violentos e assim por diante.
Na China contemporânea, o novo rico construiu para si comunidades isoladas modeladas à imagem idealizada das "típicas" cidades ocidentais. Perto de Xangai, por exemplo, existe uma réplica "real" de uma pequena cidadezinha inglesa, incluindo uma rua principal com um pub, uma igreja anglicana, um supermercado Sainsbury etc.: toda a área está isolada daquilo que a circunda por uma cúpula invisível, mas não menos real.
Não existe mais uma hierarquia entre grupos sociais que vivem na mesma nação, aqueles que residem nesta cidade vivem em um universo no qual, dentro do seu imaginário ideológico, o mundo ao redor de "classe inferior" simplesmente não existe. Esses "cidadãos globais" que vivem em áreas isoladas não representam talvez o verdadeiro polo oposto daqueles que vivem nas favelas e das outras "manchas brancas" da esfera pública? Com efeito, eles representam as duas faces da mesma moeda, os dois extremos da nova divisão de classe.
A cidade que melhor encarna essa divisão é São Paulo, no Brasil de Lula, que hospeda 250 heliportos na área do centro da sua cidade. Para se isolar do perigo de se misturar com as pessoas comuns, o rico de São Paulo prefere usar os helicópteros, pois então, olhando o horizonte da cidade, sente-se verdadeiramente como se se encontrasse em uma megalópole futurista do gênero descrito em filmes como "Blade Runner" ou "O quinto elemento", com pessoas comuns que se aglomeram em ruas perigosas embaixo, enquanto o rico passeia em um nível mais alto, no ar.
Parece assim que a utopia dos anos 90 de Fukuyama deveria morrer duas vezes, a partir do momento em que a queda da utopia política liberal-democrática do 11 de setembro não atingiu a utopia econômica do mercado capitalista global. Se o colapso financeiro de 2008 tem um significado histórico, então, é como sinal do fim da face econômica do sonho de Fukuyama. O que nos reporta à paráfrase marxiana de Hegel: é preciso lembrar que, na sua introdução a uma nova edição do "18 Brumário" nos anos 60, Herbert Marcuse acrescentou um novo enrijecimento: às vezes, a repetição à guisa de farsa pode ser mais terrificante do que a tragédia original.
Em um famoso debate na Universidade de Salamanca em 1936, Miguel de Unamuno lançou uma flechada aos franquistas: "Venceréis, pero no convenceréis" (Vencereis, mas não convencereis). Estaria aqui tudo o que a esquerda pode dizer hoje ao capitalismo global triunfante? A esquerda está predestinada a continuar desempenhando o papel daqueles que, ao contrário, convencem mas no entanto continuam perdendo (e são particularmente convincentes ao explicar retroativamente as razões da sua própria falência)?
A nossa tarefa é descobrir como dar um passo adiante. A nossa undécima tese deveria ser: nas nossas sociedades, a esquerda crítica só conseguiu até agora desonrar aqueles que estão no poder, enquanto o ponto real é castrá-los...
Mas como podemos conseguir isso? É necessário aprender com os fracassos da política da esquerda no século XX. A tarefa não é praticar a castração no ápice de um confronto direto, mas sim minar aqueles que estão no poder com um trabalho ideológico-crítico paciente, de modo que, mesmo que ainda estejam no poder, deem-se conta de repente que os poderosos encontram-se novamente falando com vozes inaturalmente finas.
Nos anos 60, Lacan chamou o jornal da sua escola, que foi publicado de maneira irregular por um breve período, de Scilicet. A mensagem não era o significado hoje predominante da palavra ("isto é", "ou seja", "quer dizer"), mas literalmente "é permitido saber". (Saber o quê? O que a Escola Freudiana de Paris pensa sobre o inconsciente...). Hoje, a nossa mensagem deveria ser a mesma: é permitido saber e comprometer-se plenamente no comunismo, agir novamente em plena fidelidade à ideia comunista. A permissividade liberal é da ordem do "videlicet" – é permitido ver –, mas o fascínio pela obscenidade que nos foi permitido observar nos impede de saber o que é que vemos.
Moral da história: o tempo da chantagem moralista liberal-democrática acabou. Não devemos mais continuar justificando-nos. Enquanto seria melhor para eles começar a fazer isso logo.
"O espectro do marxismo"
Postado por Attman e Kamadon
Conferência sobre "a ideia de comunismo" proposta por Alain Badiou e Slavoj Zizek é reunida em livro.
A reportagem é de Leneide Duarte-Plon e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 09-05-2010.
A luta de classes está de volta. O espectro de Marx reaparece para mostrar que a "ideia do comunismo" e sua utopia igualitária não morreram, apesar dos desvios e dos estragos feitos a elas pelo "socialismo real" e pelos totalitarismos que dele resultaram. Num momento em que o capitalismo triunfante parecia ter definitivamente enterrado Marx, 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, 15 filósofos de horizontes distintos resolveram repensar o comunismo.
Esse "pequeno número de filósofos constitui, no mundo de hoje, o pequeno grupo dos que não se intimidam com a opinião dominante", escreve Alain Badiou na apresentação do novo livro "L'Idée du Communisme" (A Ideia do Comunismo, ed. Lignes). A obra traz as 15 exposições proferidas na Conferência de Londres, em maio do ano passado, por iniciativa de Alain Badiou e Slavoj Zizek.
Na apresentação, Badiou declara que tanto ele quando Zizek tinham certeza de que "repor em circulação esse velho vocábulo magnífico, não deixar os partidários do capitalismo liberal globalizado imporem um balanço pessoal de sua utilização, relançar a discussão sobre as etapas e os desvios inevitáveis da emancipação histórica da humanidade toda eram uma tarefa necessária para o que hoje se mostra dramaticamente ausente: uma independência total de pensamento diante do consenso ocidental "democrático" que apenas organiza universalmente sua própria e deletéria continuação desprovida de sentido".
O filósofo Jacques Rancière escreve: "A "crise" atual é de fato o freio da utopia capitalista que reinou sozinha durante os 20 anos que se seguiram à queda do império soviético: a utopia da autorregulação do mercado e da possibilidade de reorganizar o conjunto das instituições e das relações sociais, de reorganizar todas as formas de vida humana segundo a lógica do livre mercado".
Apresentadas em ordem alfabética, as conferências de Alain Badiou, Judith Balso, Bruno Bosteels, Susan Buck-Morss, Terry Eagleton, Peter Hallward, Michael Hardt, Minqi Li, Jean-Luc Nancy, Toni Negri, Jacques Rancière, Alessandro Russo, Alberto Toscano, Gianni Vattimo, Wang Hui e Slavoj Zizek abordam diferentes aspectos do pensamento comunista.
O filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek conta que, numa reunião de lacanianos em Buenos Aires, em 2008, encontrou um grupo de psicanalistas venezuelanos, ferrenhos opositores do regime de Hugo Chávez. Alegavam que o presidente venezuelano fosse "violento e criminoso".
Zizek escreve: "Eles esqueciam que o regime precedente, no qual milhões de pobres vivendo em favelas eram excluídos da riqueza gerada pelo petróleo, era, em todos os sentidos, mais violento e criminoso. Trata-se de um exemplo claro da maneira como a classe tangencia a visibilidade (invisível) da violência: a brutalidade policial cotidiana para com os pobres é invisível, enquanto a menor perturbação da rotina das classes médias é condenada como um ato de violência".
Polêmica
Inimigos de Badiou o acusaram, em fevereiro, de "terrorista de salão", "mestre perverso" e "velho perdedor", em texto no semanário francês "Marianne".
O filósofo francês mais lido e comentado no mundo enche mensalmente o enorme anfiteatro da École Normale Supérieure, em Paris. Pessoas de todas as idades se deslocam para ouvir seu seminário sobre Platão. Mas seus inimigos não perdoam o fato de fazer ressurgir o espectro de Marx. Ainda neste ano, uma conferência em Berlim prolongará a reflexão sobre a "ideia de comunismo".
Conferência sobre "a ideia de comunismo" proposta por Alain Badiou e Slavoj Zizek é reunida em livro.
A reportagem é de Leneide Duarte-Plon e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 09-05-2010.
A luta de classes está de volta. O espectro de Marx reaparece para mostrar que a "ideia do comunismo" e sua utopia igualitária não morreram, apesar dos desvios e dos estragos feitos a elas pelo "socialismo real" e pelos totalitarismos que dele resultaram. Num momento em que o capitalismo triunfante parecia ter definitivamente enterrado Marx, 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, 15 filósofos de horizontes distintos resolveram repensar o comunismo.
Esse "pequeno número de filósofos constitui, no mundo de hoje, o pequeno grupo dos que não se intimidam com a opinião dominante", escreve Alain Badiou na apresentação do novo livro "L'Idée du Communisme" (A Ideia do Comunismo, ed. Lignes). A obra traz as 15 exposições proferidas na Conferência de Londres, em maio do ano passado, por iniciativa de Alain Badiou e Slavoj Zizek.
Na apresentação, Badiou declara que tanto ele quando Zizek tinham certeza de que "repor em circulação esse velho vocábulo magnífico, não deixar os partidários do capitalismo liberal globalizado imporem um balanço pessoal de sua utilização, relançar a discussão sobre as etapas e os desvios inevitáveis da emancipação histórica da humanidade toda eram uma tarefa necessária para o que hoje se mostra dramaticamente ausente: uma independência total de pensamento diante do consenso ocidental "democrático" que apenas organiza universalmente sua própria e deletéria continuação desprovida de sentido".
O filósofo Jacques Rancière escreve: "A "crise" atual é de fato o freio da utopia capitalista que reinou sozinha durante os 20 anos que se seguiram à queda do império soviético: a utopia da autorregulação do mercado e da possibilidade de reorganizar o conjunto das instituições e das relações sociais, de reorganizar todas as formas de vida humana segundo a lógica do livre mercado".
Apresentadas em ordem alfabética, as conferências de Alain Badiou, Judith Balso, Bruno Bosteels, Susan Buck-Morss, Terry Eagleton, Peter Hallward, Michael Hardt, Minqi Li, Jean-Luc Nancy, Toni Negri, Jacques Rancière, Alessandro Russo, Alberto Toscano, Gianni Vattimo, Wang Hui e Slavoj Zizek abordam diferentes aspectos do pensamento comunista.
O filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek conta que, numa reunião de lacanianos em Buenos Aires, em 2008, encontrou um grupo de psicanalistas venezuelanos, ferrenhos opositores do regime de Hugo Chávez. Alegavam que o presidente venezuelano fosse "violento e criminoso".
Zizek escreve: "Eles esqueciam que o regime precedente, no qual milhões de pobres vivendo em favelas eram excluídos da riqueza gerada pelo petróleo, era, em todos os sentidos, mais violento e criminoso. Trata-se de um exemplo claro da maneira como a classe tangencia a visibilidade (invisível) da violência: a brutalidade policial cotidiana para com os pobres é invisível, enquanto a menor perturbação da rotina das classes médias é condenada como um ato de violência".
Polêmica
Inimigos de Badiou o acusaram, em fevereiro, de "terrorista de salão", "mestre perverso" e "velho perdedor", em texto no semanário francês "Marianne".
O filósofo francês mais lido e comentado no mundo enche mensalmente o enorme anfiteatro da École Normale Supérieure, em Paris. Pessoas de todas as idades se deslocam para ouvir seu seminário sobre Platão. Mas seus inimigos não perdoam o fato de fazer ressurgir o espectro de Marx. Ainda neste ano, uma conferência em Berlim prolongará a reflexão sobre a "ideia de comunismo".
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Imaginando que é
Postado por Kamadon
Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'
Você sabe por que a maioria das pessoas não consegue ser maluco beleza?
Participante: Porque elas se policiam demais...
Não. Sabe por que você não é feliz? Sabe por que não é maluco beleza? Porque sabe o que é ser feliz, sabe o que é ser maluco beleza. Quando você sabe o que é ser alguma coisa é sinal de que segue um padrão de ser. Sendo assim, quando você acha que é, não é, pois está apenas seguindo um padrão...
Você não consegue ser feliz porque sabe o que é ser feliz, ou seja, estabeleceu um padrão do que é ser feliz. Mas, este padrão é apenas criação da mente e não realidade. Sendo assim, quando você imagina que alcançou a felicidade, não fez nada, pois apenas seguiu mais um padrão da mente...
Quando alguma coisa se torna difícil na sua vida, você se torna infeliz. Por que? Porque a dificuldade não está dentro do padrão criado pela mente para ser feliz.
Na verdade, esta infelicidade não é ocasionada pelo que acontece, mas como uma criação da mente. Ela cria o padrão do que é ser feliz, você o aceita; ela cria a ideia da dificuldade em alguma coisa e diz que isso não está dentro dos padrões de ser feliz, você aceita, então o sofrimento.. .
Na verdade você é infeliz porque o seu senhor lhe disse que é. Como você acha que é a mente, só faz o que ela manda.
Sabe, vocês não são escravos da mente, não... O escravo é sempre revoltado contra o senhor dele, mas vocês não se revoltam contra a mente. Pelo contrário: adoram ser ela...
Na verdade, vocês são como cavalos que usam antolhos e que vão todos felizes andando para frente sem olhar para o lado. Como esses cavalos, também acham que são vocês que estão querendo ir para aquele lugar...
Vocês são como os bois que vão para o matadouro. A mente vai lhes levando para o matadouro e vocês vão felizes por aquele caminho sem imaginar o que os espera no final...
Não, vocês não são escravos, pois para ser isso precisariam tentar se libertar do jugo do seu senhor. Mas, vocês não querem se libertar da mente... Na verdade querem ser a mente...
Sabe, a mente cria um padrão do que é ser live e, como adoram ela, vocês querem essa liberdade para vocês. Mas, essa liberdade é a prisão...
Sabe o que é ser livre? É ser livre... Mesmo estando preso...
A liberdade não pode ser explicada, pois se criarmos um padrão do que é ser livre estaremos presos a estes padrões. Ou seja, só vamos nos sentir livres quando cumprirmos o padrão...
Não, ser livre é ser livre... Mas, vocês só se dizem livres quando se veem enjaulados pela norma que a mente cria dizendo o que é ser livre...
Na verdade quando vocês se sentem livres, estão presos. Pior: escolheram ser presos...
Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'
Você sabe por que a maioria das pessoas não consegue ser maluco beleza?
Participante: Porque elas se policiam demais...
Não. Sabe por que você não é feliz? Sabe por que não é maluco beleza? Porque sabe o que é ser feliz, sabe o que é ser maluco beleza. Quando você sabe o que é ser alguma coisa é sinal de que segue um padrão de ser. Sendo assim, quando você acha que é, não é, pois está apenas seguindo um padrão...
Você não consegue ser feliz porque sabe o que é ser feliz, ou seja, estabeleceu um padrão do que é ser feliz. Mas, este padrão é apenas criação da mente e não realidade. Sendo assim, quando você imagina que alcançou a felicidade, não fez nada, pois apenas seguiu mais um padrão da mente...
Quando alguma coisa se torna difícil na sua vida, você se torna infeliz. Por que? Porque a dificuldade não está dentro do padrão criado pela mente para ser feliz.
Na verdade, esta infelicidade não é ocasionada pelo que acontece, mas como uma criação da mente. Ela cria o padrão do que é ser feliz, você o aceita; ela cria a ideia da dificuldade em alguma coisa e diz que isso não está dentro dos padrões de ser feliz, você aceita, então o sofrimento.. .
Na verdade você é infeliz porque o seu senhor lhe disse que é. Como você acha que é a mente, só faz o que ela manda.
Sabe, vocês não são escravos da mente, não... O escravo é sempre revoltado contra o senhor dele, mas vocês não se revoltam contra a mente. Pelo contrário: adoram ser ela...
Na verdade, vocês são como cavalos que usam antolhos e que vão todos felizes andando para frente sem olhar para o lado. Como esses cavalos, também acham que são vocês que estão querendo ir para aquele lugar...
Vocês são como os bois que vão para o matadouro. A mente vai lhes levando para o matadouro e vocês vão felizes por aquele caminho sem imaginar o que os espera no final...
Não, vocês não são escravos, pois para ser isso precisariam tentar se libertar do jugo do seu senhor. Mas, vocês não querem se libertar da mente... Na verdade querem ser a mente...
Sabe, a mente cria um padrão do que é ser live e, como adoram ela, vocês querem essa liberdade para vocês. Mas, essa liberdade é a prisão...
Sabe o que é ser livre? É ser livre... Mesmo estando preso...
A liberdade não pode ser explicada, pois se criarmos um padrão do que é ser livre estaremos presos a estes padrões. Ou seja, só vamos nos sentir livres quando cumprirmos o padrão...
Não, ser livre é ser livre... Mas, vocês só se dizem livres quando se veem enjaulados pela norma que a mente cria dizendo o que é ser livre...
Na verdade quando vocês se sentem livres, estão presos. Pior: escolheram ser presos...
O 'eu' mental
Postado por Kamadon
Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'
Participante: Esse é o problema... Estou tentando me libertar, talvez da forma errada. Estou sendo enganado achando que fiz e não fiz. Eu percebi isso. Fico confuso por isso, mas não fico confuso por isso... Enfim, não estou fugindo da realidade: estou vivendo essa confusão toda, essa ilusão toda...
Aí é que está o problema: você está vivendo ela enquanto estou dizendo para você não compactuar com o que a mente cria.
O problema é que você está vivendo o problema que a mente está criando. Está vivendo as certezas, as dúvidas, as angústias, as verdades e valores que a mente cria. Quando é que você vai viver você mesmo?
Este é que o grande detalhe que vocês até agora não perceberam. Vocês estão vivendo o que a mente diz para viverem. Estão sendo aquilo que a mente está dizendo para serem.
Como já me disseram muitas vezes: 'É muito difícil fazer o que você diz'... Porque as pessoas me dizem isso? Porque estão vivendo as dificuldades que a mente cria. A mente cria a dificuldade e o conceito de ser difícil e vocês vivem o que ela cria, sem nem sequer terem começado a tentar...
. Entendam isso... Toda luta pela liberdade da mente cria tem uma só finalidade: você não ser mais ela. Ou melhor, reconhecer que tudo aquilo que ela diz é ela que é e não você. É ela que fica nervosa, ansiosa ou confusa e não você.
Se querem fazer qualquer coisa neste caminho, precisam entender algo fundamental. ..
Quem é você, moço?
Participante: Eu sou o que eu penso...
Você não é o que pensa. O que você pensa é você...
Você não é o que pensa ser, porque você não tem pensamento para dizer quem é você... Na verdade, quem a mente pensa que você é, você é... Isso porque, quando a mente fala 'eu', está falando dela mesmo e não de você...
Entenda isso. Quando você me disse que estava com calor, esse estar é um pensamento. O calor que você está sentindo foi criado por um pensamento. Sendo assim, o 'eu' que está com calor não é você, mas a mente... A mente está com calor, não você...
Quando a mente lhe disse para você ficar chateado com o outro, não foi você que ficou chateado, mas ela própria. O 'eu' das frases mentais (pensamentos) é a própria mente e não você...
Você acabou de me dizer que está confuso, mas isso não real: quem está confusa é a mente e não você. Outra pessoa me disse que acha difícil colocar em prática o que falo, mas não é ele que acha e sim a mente.
O você real, não pode ficar nem deixar de ficar confuso nem achar que é difícil ou não... Para que você ficasse confuso, teria pelo menos que saber quem é você, como vive e como acontece. Mas, você não sabe nada disso...
Neste estudo já disse diversas vezes: o observador não é conhecido... Então você não é o 'eu' que está no pensamento. Todo 'eu' utilizado pela mente é ela mesmo...
Quando lhe acontece um pensamento qualquer que comece com a palavra 'eu', esse 'eu' é a mente e não você. O José é a mente e não você... É isso que vocês precisam entender...
Portanto, lhe respondendo, digo que não dá para você saber se está ou não fazendo algumas coisa, pois este 'eu' do pensamento que diz que está fazendo ou não é a mente. Além disso, a própria ideia de estar fazendo ou não é apenas uma ideia e não uma realidade.
A vida daquele que alcança a felicidade é impessoal... Nela não há sujeito. Se houver, é só a mente. Para quem busca a felicidade, ela é o único sujeito que existe numa oração. Isso porque tudo que é sujeito da oração, ou seja, agente da ação, é mente. Você não faz ou deixar de fazer, de compreender ou não, de sentir ou não coisa alguma. É a mente que cria tudo isso...
Portanto, comecem a pensar nisso: não existe 'eu'. Se há um, ele chama-se mente, não eu, o observador. .
Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'
Participante: Esse é o problema... Estou tentando me libertar, talvez da forma errada. Estou sendo enganado achando que fiz e não fiz. Eu percebi isso. Fico confuso por isso, mas não fico confuso por isso... Enfim, não estou fugindo da realidade: estou vivendo essa confusão toda, essa ilusão toda...
Aí é que está o problema: você está vivendo ela enquanto estou dizendo para você não compactuar com o que a mente cria.
O problema é que você está vivendo o problema que a mente está criando. Está vivendo as certezas, as dúvidas, as angústias, as verdades e valores que a mente cria. Quando é que você vai viver você mesmo?
Este é que o grande detalhe que vocês até agora não perceberam. Vocês estão vivendo o que a mente diz para viverem. Estão sendo aquilo que a mente está dizendo para serem.
Como já me disseram muitas vezes: 'É muito difícil fazer o que você diz'... Porque as pessoas me dizem isso? Porque estão vivendo as dificuldades que a mente cria. A mente cria a dificuldade e o conceito de ser difícil e vocês vivem o que ela cria, sem nem sequer terem começado a tentar...
. Entendam isso... Toda luta pela liberdade da mente cria tem uma só finalidade: você não ser mais ela. Ou melhor, reconhecer que tudo aquilo que ela diz é ela que é e não você. É ela que fica nervosa, ansiosa ou confusa e não você.
Se querem fazer qualquer coisa neste caminho, precisam entender algo fundamental. ..
Quem é você, moço?
Participante: Eu sou o que eu penso...
Você não é o que pensa. O que você pensa é você...
Você não é o que pensa ser, porque você não tem pensamento para dizer quem é você... Na verdade, quem a mente pensa que você é, você é... Isso porque, quando a mente fala 'eu', está falando dela mesmo e não de você...
Entenda isso. Quando você me disse que estava com calor, esse estar é um pensamento. O calor que você está sentindo foi criado por um pensamento. Sendo assim, o 'eu' que está com calor não é você, mas a mente... A mente está com calor, não você...
Quando a mente lhe disse para você ficar chateado com o outro, não foi você que ficou chateado, mas ela própria. O 'eu' das frases mentais (pensamentos) é a própria mente e não você...
Você acabou de me dizer que está confuso, mas isso não real: quem está confusa é a mente e não você. Outra pessoa me disse que acha difícil colocar em prática o que falo, mas não é ele que acha e sim a mente.
O você real, não pode ficar nem deixar de ficar confuso nem achar que é difícil ou não... Para que você ficasse confuso, teria pelo menos que saber quem é você, como vive e como acontece. Mas, você não sabe nada disso...
Neste estudo já disse diversas vezes: o observador não é conhecido... Então você não é o 'eu' que está no pensamento. Todo 'eu' utilizado pela mente é ela mesmo...
Quando lhe acontece um pensamento qualquer que comece com a palavra 'eu', esse 'eu' é a mente e não você. O José é a mente e não você... É isso que vocês precisam entender...
Portanto, lhe respondendo, digo que não dá para você saber se está ou não fazendo algumas coisa, pois este 'eu' do pensamento que diz que está fazendo ou não é a mente. Além disso, a própria ideia de estar fazendo ou não é apenas uma ideia e não uma realidade.
A vida daquele que alcança a felicidade é impessoal... Nela não há sujeito. Se houver, é só a mente. Para quem busca a felicidade, ela é o único sujeito que existe numa oração. Isso porque tudo que é sujeito da oração, ou seja, agente da ação, é mente. Você não faz ou deixar de fazer, de compreender ou não, de sentir ou não coisa alguma. É a mente que cria tudo isso...
Portanto, comecem a pensar nisso: não existe 'eu'. Se há um, ele chama-se mente, não eu, o observador. .
domingo, 2 de maio de 2010
A ayahuasca deve ser proibida?
Postado por Kamadon
Com o recente caso da morte do cartunista Glauco, muita discussão vem sendo feita e inclusive uma campanha promovida por deputados evangélicos para proibir o uso da ayahuasca, a “erva do demônio”, segundo eles.
Nas últimas semanas recebi vários e-mails perguntado se eu era a favor ou contra o uso da ayahuasca e se ela deveria ser realmente proibida. Eu respondi que não era a favor e nem contra, apenas não tinha interesse ou vontade de usar essa bebida. Eu prefiro o caminho da meditação para se alcançar estados ampliados de consciência. Mas defendo que ela não deve ser proibida.
Como ensina Paulo de Tarso, tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém. Ou seja, se eu quero usar determinado produto, eu tenho o direito de usar, mas preciso também assumir as conseqüências de meus atos.
Em 2005, após tomar o chá, escrevi um artigo. Vira e mexe o artigo é republicado em listas na Internet. Por causa disso, resolvi o reescrever, acrescentando informações que na época eu não dei valor. Uma delas, por exemplo, foi quando pedi permissão para me levantar e o focalizador do ritual me disse o seguinte: “não faça mais esse gesto! Sem entender, perguntei qual era o gesto. Ele me explicou que eu fiz um movimento involuntário com as mãos e, aquele movimento, era o cumprimento dos Exus. Hoje eu interpreto que foi algo positivo. Na certa, eu tinha algum Exu do lado me protegendo e o mesmo se manifestou através daquele gesto com as mãos para transmitir alguma coisa para o focalizador. Por exemplo, algo como “este está sob nossa proteção”.
Tenho um amigo, ex-aluno da escola onde leciono, que sempre vê um Exu ao meu lado. Ele diz que ele me protege dos constantes ataques que recebo. Segundo ele, sem tal proteção eu estaria perdido, pois, em suas palavras, meu trabalho é muito combatido do “lado de lá”. Se for verdade, pois não vejo, não ouço e não sinto nada, agradeço a Deus pela oportunidade de fazer este trabalho espiritualista e também pela proteção a mim garantida.
Mas reforço que eu, particularmente, apesar de não sentir vontade ou desejo de tomar ayahuasca, sou favorável que o seu uso continue liberado e cada um faça o melhor uso possível, garantindo o seu livre-arbítrio. Ontem, por exemplo, eu estava em um supermercado e, perto dos caixas, havia uma superexposição de sorvetes e chocolates. Uma mulher, na fila, falou assim: “deveria ser proibido colocar essas tentações tão perto do caixa”. E eu respondi: “é para você provar a si mesma se é capaz ou não de resistir à tentação. você pode escolher sofrer ou não por causa dessa imagem.” O mesmo vale para tudo que nos causa prazer ou desprazer. Por isso a causa do sofrimento humano são os apegos e as aversões, já ensinava Buda.
Texto escrito por Adilson Marques
Com o recente caso da morte do cartunista Glauco, muita discussão vem sendo feita e inclusive uma campanha promovida por deputados evangélicos para proibir o uso da ayahuasca, a “erva do demônio”, segundo eles.
Nas últimas semanas recebi vários e-mails perguntado se eu era a favor ou contra o uso da ayahuasca e se ela deveria ser realmente proibida. Eu respondi que não era a favor e nem contra, apenas não tinha interesse ou vontade de usar essa bebida. Eu prefiro o caminho da meditação para se alcançar estados ampliados de consciência. Mas defendo que ela não deve ser proibida.
Como ensina Paulo de Tarso, tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém. Ou seja, se eu quero usar determinado produto, eu tenho o direito de usar, mas preciso também assumir as conseqüências de meus atos.
Em 2005, após tomar o chá, escrevi um artigo. Vira e mexe o artigo é republicado em listas na Internet. Por causa disso, resolvi o reescrever, acrescentando informações que na época eu não dei valor. Uma delas, por exemplo, foi quando pedi permissão para me levantar e o focalizador do ritual me disse o seguinte: “não faça mais esse gesto! Sem entender, perguntei qual era o gesto. Ele me explicou que eu fiz um movimento involuntário com as mãos e, aquele movimento, era o cumprimento dos Exus. Hoje eu interpreto que foi algo positivo. Na certa, eu tinha algum Exu do lado me protegendo e o mesmo se manifestou através daquele gesto com as mãos para transmitir alguma coisa para o focalizador. Por exemplo, algo como “este está sob nossa proteção”.
Tenho um amigo, ex-aluno da escola onde leciono, que sempre vê um Exu ao meu lado. Ele diz que ele me protege dos constantes ataques que recebo. Segundo ele, sem tal proteção eu estaria perdido, pois, em suas palavras, meu trabalho é muito combatido do “lado de lá”. Se for verdade, pois não vejo, não ouço e não sinto nada, agradeço a Deus pela oportunidade de fazer este trabalho espiritualista e também pela proteção a mim garantida.
Mas reforço que eu, particularmente, apesar de não sentir vontade ou desejo de tomar ayahuasca, sou favorável que o seu uso continue liberado e cada um faça o melhor uso possível, garantindo o seu livre-arbítrio. Ontem, por exemplo, eu estava em um supermercado e, perto dos caixas, havia uma superexposição de sorvetes e chocolates. Uma mulher, na fila, falou assim: “deveria ser proibido colocar essas tentações tão perto do caixa”. E eu respondi: “é para você provar a si mesma se é capaz ou não de resistir à tentação. você pode escolher sofrer ou não por causa dessa imagem.” O mesmo vale para tudo que nos causa prazer ou desprazer. Por isso a causa do sofrimento humano são os apegos e as aversões, já ensinava Buda.
Texto escrito por Adilson Marques
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