Postado por Attman e Kamadon
Mencius, discípulo de Confúcio e que nasceu no ano 390 antes da nossa era, escreveu: "Em primeiro lugar, está o povo; em seguida, o país. O rei é o de menos...". Pois ali estávamos nós — 72 delegações de convidados vindos de todas as partes do mundo — para vermos passar, no 1º de outubro de 1960, o grande desfile comemorativo do 11º aniversário da República Popular da Nova China.
Por Lygia Fagundes Telles, na Folha de S.Paulo
A manhã é azul. Bandeiras vermelhas com as cinco estrelas estão desfraldadas ao vento.
Estandartes também vermelhos, com os caracteres chineses, em dourado desdobram-se nos pontos mais altos da vasta praça do Povo, defronte da famosa Porta da Paz Celestial e onde estão os balcões dos convidados.
Entre o Museu Nacional e a Assembleia, defronte de nós, gigantescos retratos de Karl Marx, Friedrich Engels, Lênin e Mao Tse-tung.
É belo de se ver a variedade incrível dos trajes dos representantes de cada país; os altos africanos, com ares assim de reis negros, ostentam túnicas e adornos singulares, contrastando na sua simplicidade com os trajes asiáticos e que em geral são suntuosos, cheios de pedrarias e dourados e tudo isso de mistura com os trajes chineses — as discretas fardas de brim azul-, que por sua vez contrastam com as nossas roupas europeias. Ouvem-se em redor as mais variadas línguas. O quadro é de um colorido vivo e raro.
Uma chinesinha debruça-se num balcão ao meu lado. Observo-a. E concluo, nesse instante, que sem dúvida alguma os chineses são bonitos, assim altos e esguios. Têm a gesticulação elegante. Pernas longas. E grandes olhos seguindo aquela linha oblíqua.
Volto minha máquina fotográfica na direção da jovem. Ela inclina a cabeça para o lado, segura delicadamente a ponta da trancinha negra e sorri um tímido sorriso fresco e claro como a manhã outonal. Diz-me, em seguida, um "merci".
Aproximo-me animada: a ponte da língua estabeleceu-se entre nós. Ocorre-me fazer-lhe perguntas simples, bem femininas. Ainda não vi nenhuma chinesa pintada, digo-lhe. Nem as jovens nem as mulheres maduras usam batom ou mesmo pó de arroz. Eis que a mulher na China abriu mão das mais elementares vaidades. Nem brincos, nem anéis, nem unhas esmaltadas...
Ela ficou séria. "O nosso povo acaba de sair de uma fase terrível e que durou dezenas e dezenas de anos", respondeu-me ela. "Não podemos nos preocupar com ninharias quando ainda há coisas tão importantes a serem cuidadas. Principalmente nós, as mulheres, nunca tivemos sequer o essencial. Então não podemos agora nos dar ao luxo de pensar no acessório, no supérfluo. Temos que trabalhar. O resto fica para depois."
Não pude deixar de sorrir. Ah! Como a jovem era parecida com o Mister Wang, nosso intérprete, de topetinho no cocuruto e fronte pensativa, a expressão tão carregada de responsabilidades! Como eram graves e compenetrados os jovens da China! Lembrei-me de uma peruana ou colombiana, que após algumas semanas de permanência em Pequim, teria se queixado certa noite ao nosso teatrólogo Guilherme Figueiredo: "Sí, sí, todo es muy bueno... ¡Pero, caramba! ¡Es preciso un poco de corrupción!...".
Desatei a rir enquanto a chinesinha, sem saber por que, riu também. Tive então vontade de dizer-lhe que aprimorar a beleza do rosto era também uma causa importante. Mas pensei: para quê? Afinal, ela era tão bonita assim mesmo com a carinha lavada, singela! Pensei nas nossas brasileirinhas adolescentes e já com os olhos bistrados.
Eis aí uma jovem, edição chinesa da nossa "Inocência", de Taunay. Ela quis saber quem era "Inocência" e expliquei-lhe então que era a heroína de um romance e que nunca houve na nossa literatura uma personagem mais doce, mais delicada, mais pura.
Sons festivos de uma marcha romperam dos alto-falantes. Palmas, vivas da multidão acenando bandeirinhas: o presidente Mao Tse-tung acabara de aparecer no palanque oficial.
Começou o desfile, um desfile sem militares, sem soldados ou armas, mas apenas com colegiais e jovens, dezenas e dezenas de jovens levando bandeiras, arcos floridos, lanternas, balões, estandartes. Enfim, um mar de flores e sedas vindo em ondas a transbordar na praça.
Jamais meus olhos viram desfile igual, verdadeira demonstração do mais alto senso estético de um povo que há cinco mil anos cultiva a beleza.
terça-feira, 8 de junho de 2010
"Europeus, uni-vos! A luta de classes volta á Europa"
Postado por Attman e Kamadon
Boaventura de Souza Santos
A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os atores sociais estão perplexos e paralisados. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular relativamente do capital ou o futuro é o fascismo. O artigo é de Boaventura de Sousa Santos
Boaventura de Sousa Santos
Os dados estão lançados, o jogo é claro e quanto mais tarde identificarmos as novas regras mais elevado será o custo para os cidadãos europeus. A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os atores sociais estão perplexos e paralisados. Enquanto prática política, a luta de classes entre o trabalho e o capital nasceu na Europa e, depois de muitos anos de confrontação violenta, foi na Europa que ela foi travada com mais equilíbrio e onde deu frutos mais auspiciosos.
Os adversários verificaram que a institucionalização da luta seria mutuamente vantajosa: o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada; os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista. Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados: altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de proteção social; o modelo social europeu e o Estado Providência; a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de
futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa); a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social.
Todo este sistema está à beira do colapso e os resultados são imprevisíveis. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra: o acúmulo histórico das lutas sociais, de tantas e tão laboriosas negociações e de equilíbrios tão duramente obtidos, é lançado por terra com inaudita arrogância e a
Espanha é mandada recuar décadas na sua história: reduzir drasticamente os salários, destruir o sistema de pensões, eliminar direitos trabalhistas (facilitar demissões, reduzir indenizações). A mesma receita será imposta a Portugal, como já foi à Grécia, e a outros países da Europa, muito para além da Europa do Sul.
A Europa está sendo vítima de uma OPA por parte do FMI, cozinhada pelos neoliberais que dominam a União Europeia, de Merkel a Barroso, escondidos atrás do FMI para não pagarem os custos políticos da
devastação social. O senso comum neoliberal diz-nos que a culpa é da crise, que vivemos acima das nossas posses e que não há dinheiro para tanto bem-estar. Mas qualquer cidadão comum entende isto: se a FAO calcula que 30 bilhões de dólares seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo e os governos insistem em dizer que não há
dinheiro para isso, como se explica que, de repente, tenham surgido 900 bilhões para salvar o sistema financeiro europeu?
A luta de classes está voltando sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho. O que fazer? Haverá resistência mas esta, para ser eficaz, tem de ter em conta dois fatos novos. Primeiro, a fragmentação do trabalho e a sociedade de consumo ditaram a crise dos sindicatos. Nunca os que trabalham trabalharam tanto e nunca lhes foi tão difícil identificarem-se como trabalhadores. A resistência terá nos sindicatos um pilar mas ele
será bem frágil se a luta não for partilhada em pé de igualdade por movimentos de mulheres, ambientalistas, de consumidores, de direitos humanos, de imigrantes, contra o racismo, a xenofobia e a homofobia. A crise atinge todos porque todos são trabalhadores.
Segundo, não há economias nacionais na Europa e, por isso, a resistência ou é europeia ou não existe. As lutas nacionais serão um alvo fácil dos que clamam pela governabilidade ao mesmo tempo que desgovernam. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular relativamente do capital financeiro ou o futuro é o fascismo e terá que ser combatido por todos os meios.
Boaventura de Souza Santos
A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os atores sociais estão perplexos e paralisados. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular relativamente do capital ou o futuro é o fascismo. O artigo é de Boaventura de Sousa Santos
Boaventura de Sousa Santos
Os dados estão lançados, o jogo é claro e quanto mais tarde identificarmos as novas regras mais elevado será o custo para os cidadãos europeus. A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os atores sociais estão perplexos e paralisados. Enquanto prática política, a luta de classes entre o trabalho e o capital nasceu na Europa e, depois de muitos anos de confrontação violenta, foi na Europa que ela foi travada com mais equilíbrio e onde deu frutos mais auspiciosos.
Os adversários verificaram que a institucionalização da luta seria mutuamente vantajosa: o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada; os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista. Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados: altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de proteção social; o modelo social europeu e o Estado Providência; a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de
futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa); a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social.
Todo este sistema está à beira do colapso e os resultados são imprevisíveis. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra: o acúmulo histórico das lutas sociais, de tantas e tão laboriosas negociações e de equilíbrios tão duramente obtidos, é lançado por terra com inaudita arrogância e a
Espanha é mandada recuar décadas na sua história: reduzir drasticamente os salários, destruir o sistema de pensões, eliminar direitos trabalhistas (facilitar demissões, reduzir indenizações). A mesma receita será imposta a Portugal, como já foi à Grécia, e a outros países da Europa, muito para além da Europa do Sul.
A Europa está sendo vítima de uma OPA por parte do FMI, cozinhada pelos neoliberais que dominam a União Europeia, de Merkel a Barroso, escondidos atrás do FMI para não pagarem os custos políticos da
devastação social. O senso comum neoliberal diz-nos que a culpa é da crise, que vivemos acima das nossas posses e que não há dinheiro para tanto bem-estar. Mas qualquer cidadão comum entende isto: se a FAO calcula que 30 bilhões de dólares seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo e os governos insistem em dizer que não há
dinheiro para isso, como se explica que, de repente, tenham surgido 900 bilhões para salvar o sistema financeiro europeu?
A luta de classes está voltando sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho. O que fazer? Haverá resistência mas esta, para ser eficaz, tem de ter em conta dois fatos novos. Primeiro, a fragmentação do trabalho e a sociedade de consumo ditaram a crise dos sindicatos. Nunca os que trabalham trabalharam tanto e nunca lhes foi tão difícil identificarem-se como trabalhadores. A resistência terá nos sindicatos um pilar mas ele
será bem frágil se a luta não for partilhada em pé de igualdade por movimentos de mulheres, ambientalistas, de consumidores, de direitos humanos, de imigrantes, contra o racismo, a xenofobia e a homofobia. A crise atinge todos porque todos são trabalhadores.
Segundo, não há economias nacionais na Europa e, por isso, a resistência ou é europeia ou não existe. As lutas nacionais serão um alvo fácil dos que clamam pela governabilidade ao mesmo tempo que desgovernam. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular relativamente do capital financeiro ou o futuro é o fascismo e terá que ser combatido por todos os meios.
"Espiritualidade de Prosperidade"
Postado por Attman e Kamadon
J. B. Libanio *
Os sistemas políticos e econômicos não vivem só de ideologia e dinheiro. Política e economia satisfazem as necessidades básicas do ser humano. Mas deixam em descoberto seu lado espiritual, religioso. Por isso, todo sistema econômico cria sua espiritualidade ou encampa algo já existente, imprimindo-lhe sua marca.
Os ideais socialistas casavam muito bem com a teologia da libertação, assim como com a luta das comunidades eclesiais de base nas suas reivindicações fundamentais. Sem transformar-se em ideologia socialista, a espiritualidade da libertação alimentava e alimenta até hoje as pessoas que se envolvem com as práticas transformadoras da realidade na linha da emancipação e promoção dos pobres.
E agora, que espiritualidade está a responder ao triunfo do neoliberalismo? Onde ele busca apoio espiritual para preencher o vazio que o puro consumismo e o materialismo deixam atrás de si?
Muitas igrejas pentecostais e neopentecostais têm elaborado a espiritualidade da prosperidade e com isso mantido as pessoas nas redes do neoliberalismo, respaldadas por uma visão religiosa da realidade. Em que consiste tal espiritualidade?
Na base está o individualismo neoliberal com sua concepção de concorrência e competição de modo que vencem os mais fortes, os mais sabidos, os mais "vivos". Daí resulta o progresso. Pior para quem fica fora dele. Dito desta maneira rude poderia doer aos ouvidos cristãos. Aí entra uma pitada de espiritualidade que tudo tempera.
Deus quer a felicidade, a riqueza, os bens materiais, a felicidade, a saúde, aqui e agora, para seus filhos. Quem são eles se não os cristãos? Pensar de maneira diferente é cair na alienação tradicional. Esta prometia os bens somente para a vida eterna que se obtinha com os sofrimentos aqui na terra.
Cristo já sofreu no nosso lugar. Agora vem-nos a bênção de Deus. Somos "filhos do Rei". Se vamos para o céu, por que não antecipar um pouco dele nesta vida?
E os pobres? Sempre os haverá entre nós, como diz o Senhor. Eles são os perdidos. São preguiçosos, viciados, idólatras. Se vão mesmo para o inferno, por que não ensaiar um pouco aqui na terra? "O Terceiro Mundo é pobre porque idólatra", pregava Luiz Palau, evangelista argentino, americano naturalizado. Dois irmãos nordestinos sentenciavam, em São Paulo, que a culpa da pobreza do Nordeste é a devoção idólatra ao Padre Cícero.
Se os cristãos não ficarem ricos, isto é falta de fé. Vem de algum pecado oculto. Confessando-os, conhecerão a prosperidade. Mas se mesmo assim, não ficarem ricos, então a culpa é de algum antepassado.
Nessa espiritualidade, não há lugar para a solidariedade nem para a opção pelos pobres. É estritamente individualista. É uma espiritualidade dos resultados. Os ricos já estão abençoados. Encontram nela paz interior, uma vez que já possuem os bens materiais. Os pobres devem buscá-la para si e seus familiares, recorrendo a ritos religiosos, como o de abençoar ou ungir de óleo santo as carteiras profissionais.
Para a Igreja Universal do Reino de Deus a vida espiritual é uma transação financeira com o céu. Quanto maior a oferta, tanto maior a bênção. A espiritualidade da prosperidade é o coração dessa Igreja. Ela incentiva mais que ter carteira assinada é a criação de microempresas. Um bispo seu, trafegando em luxuoso carro do ano, dizia: "Eu ensino a prosperidade e vivo a prosperidade".
Apela-se então para um "poder" nas palavras o qual libera "energias positivas" e combate o baixo astral com efeito sobre as coisas, doenças. A realização dessa espiritualidade é "vida longa e próspera".
Outra expressão é a idéia de que Deus não fez seu povo para ser "cauda" do mundo, mas sua "cabeça". Incentivam-se os cristãos a ambicionar postos de mando na Terra. Aos "perdidos" cabe impor obediência e evitar que façam males maiores.
A participação na política não visa a uma transformação social, mas a travar a luta do bem contra o mal, sem lugar para o pluralismo. O bem se identifica com os ideais e interesses da própria igreja e de seus dirigentes. Volta-se à velha idéia da batalha espiritual que transforma em inimigo tudo com o que essa espiritualidade não concorda. Divide o mundo em dois campos: o lado de Deus (o lado da igreja) e o lado do mal, do demônio: todas as forças que divergem de sua maneira de ver a realidade.
A espiritualidade da prosperidade é uma resposta ao momento atual. Corresponde muito bem ao clima dominante da cultura pós-moderna a serviço do neoliberalismo. Daí sua sedução. Oferece o caminho rápido do sucesso sem passar pelo trabalho, pela renúncia, pelo esforço. O êxito econômico se faz até mesmo por vias suspeitas. Ele é sinal da bênção de Deus. A riqueza é vista no seu valor em si mesmo, sem nenhuma responsabilidade social. Muito distante da doutrina social da Igreja que defende a hipoteca social sobre toda posse. Os bens materiais são vistos como privilégio e bênção para alguns escolhidos de Deus e não destinados a todos. Produz-se uma identificação rápida entre a bênção de Deus e os bens materiais dos ricos.
Atém-se a uma interpretação literal e unilateral do Antigo Testamento. Esquece-se de que Jesus veio dar-lhe o verdadeiro sentido. Não se tem a mínima sensibilidade pela dimensão social nem pelo amor predileto de Deus pelo pobre. Os verdadeiros bens para o cristão encontram-se retratados por Jesus no sermão da montanha e na sua vida.
Jesus proclama bem-aventurados os pobres e não aqueles que nadam em riqueza e a ambicionam para si. Jesus invectiva aquele rico que só pensava em armazenar ainda mais seus bens. "Insensato! Esta noite mesmo a tua vida ser-te-á reclamada e o que tu preparaste, quem é o que o terá?" E conclui com um dito lapidar: "Eis o que acontece a quem reúne um tesouro para si mesmo, em vez de enriquecer junto a Deus" (Lc 12, 16-21)
Como se vê, é exatamente o oposto da espiritualidade da prosperidade que só pensa em entesourar para si e quanto mais, melhor. Esquece da condição mortal.
Mais ainda. Jesus refere-se diretamente à fragilidade dos bens terrestres que as traças e os vermes corroem; que os ladrões roubam. Conclui: "acumulai para vós tesouros no céu, onde nem as traças nem os vermes causam estragos, onde os ladrões não arrombam nem roubam". E termina com um dito de sabedoria: "onde está o teu tesouro, aí também estará o teu coração" (Mt 6, 19-21).
O ensinamento de Jesus sobre o seguimento situa-se em posição diametralmente oposta à espiritualidade da prosperidade. Na base está o desprendimento e não a acumulação. "Qualquer um de nós que não renuncia a tudo o que lhe pertence não pode ser meu discípulo" (Lc 14, 33).
Precisa ser de uma absoluta cegueira a respeito do evangelho de Jesus para propor uma espiritualidade da prosperidade como expressão do projeto de Deus. Este se manifestou em sua plenitude na pregação e pessoa de Jesus. As passagens do Antigo Testamento, que parecem identificar a bênção de Deus com a abundância dos bens, revelam um aspecto de seu projeto criador. Os bens criados estão destinados a todos os seres humanos e não a serem privilégio de alguns que se engolfam neles enquanto outros carecem de tudo. O Novo Testamento avança. Relativiza os bens materiais na perspectiva do irmão, do serviço aos outros, da própria missão.
A espiritualidade da prosperidade inverte o sentido cristão. É materialista, pagã. Nada cristã. Não se opondo ao canto de sereia do neoliberalismo, capitula. É a espiritualidade que justifica a injustiça social, tranqüilizando a consciência com tintura religiosa. Camufla a verdade da injustiça social, transferindo para Deus - bênção e maldição - a diferença social entre os humanos, fruto do sistema econômico, ao menos, na forma atual.
[www.jblibanio.com.br (site organizado pelo grupo de amigos e admiradores de JB Libanio. Confira desse autor o livro: Qual o futuro do Cristianismo? São Paulo, Paulus, 2006; 2ª. Ed. 2008)].
* Padre jesuíta, escritor e teólogo. Ensina na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte, e é vice-pároco em Vespasiano
J. B. Libanio *
Os sistemas políticos e econômicos não vivem só de ideologia e dinheiro. Política e economia satisfazem as necessidades básicas do ser humano. Mas deixam em descoberto seu lado espiritual, religioso. Por isso, todo sistema econômico cria sua espiritualidade ou encampa algo já existente, imprimindo-lhe sua marca.
Os ideais socialistas casavam muito bem com a teologia da libertação, assim como com a luta das comunidades eclesiais de base nas suas reivindicações fundamentais. Sem transformar-se em ideologia socialista, a espiritualidade da libertação alimentava e alimenta até hoje as pessoas que se envolvem com as práticas transformadoras da realidade na linha da emancipação e promoção dos pobres.
E agora, que espiritualidade está a responder ao triunfo do neoliberalismo? Onde ele busca apoio espiritual para preencher o vazio que o puro consumismo e o materialismo deixam atrás de si?
Muitas igrejas pentecostais e neopentecostais têm elaborado a espiritualidade da prosperidade e com isso mantido as pessoas nas redes do neoliberalismo, respaldadas por uma visão religiosa da realidade. Em que consiste tal espiritualidade?
Na base está o individualismo neoliberal com sua concepção de concorrência e competição de modo que vencem os mais fortes, os mais sabidos, os mais "vivos". Daí resulta o progresso. Pior para quem fica fora dele. Dito desta maneira rude poderia doer aos ouvidos cristãos. Aí entra uma pitada de espiritualidade que tudo tempera.
Deus quer a felicidade, a riqueza, os bens materiais, a felicidade, a saúde, aqui e agora, para seus filhos. Quem são eles se não os cristãos? Pensar de maneira diferente é cair na alienação tradicional. Esta prometia os bens somente para a vida eterna que se obtinha com os sofrimentos aqui na terra.
Cristo já sofreu no nosso lugar. Agora vem-nos a bênção de Deus. Somos "filhos do Rei". Se vamos para o céu, por que não antecipar um pouco dele nesta vida?
E os pobres? Sempre os haverá entre nós, como diz o Senhor. Eles são os perdidos. São preguiçosos, viciados, idólatras. Se vão mesmo para o inferno, por que não ensaiar um pouco aqui na terra? "O Terceiro Mundo é pobre porque idólatra", pregava Luiz Palau, evangelista argentino, americano naturalizado. Dois irmãos nordestinos sentenciavam, em São Paulo, que a culpa da pobreza do Nordeste é a devoção idólatra ao Padre Cícero.
Se os cristãos não ficarem ricos, isto é falta de fé. Vem de algum pecado oculto. Confessando-os, conhecerão a prosperidade. Mas se mesmo assim, não ficarem ricos, então a culpa é de algum antepassado.
Nessa espiritualidade, não há lugar para a solidariedade nem para a opção pelos pobres. É estritamente individualista. É uma espiritualidade dos resultados. Os ricos já estão abençoados. Encontram nela paz interior, uma vez que já possuem os bens materiais. Os pobres devem buscá-la para si e seus familiares, recorrendo a ritos religiosos, como o de abençoar ou ungir de óleo santo as carteiras profissionais.
Para a Igreja Universal do Reino de Deus a vida espiritual é uma transação financeira com o céu. Quanto maior a oferta, tanto maior a bênção. A espiritualidade da prosperidade é o coração dessa Igreja. Ela incentiva mais que ter carteira assinada é a criação de microempresas. Um bispo seu, trafegando em luxuoso carro do ano, dizia: "Eu ensino a prosperidade e vivo a prosperidade".
Apela-se então para um "poder" nas palavras o qual libera "energias positivas" e combate o baixo astral com efeito sobre as coisas, doenças. A realização dessa espiritualidade é "vida longa e próspera".
Outra expressão é a idéia de que Deus não fez seu povo para ser "cauda" do mundo, mas sua "cabeça". Incentivam-se os cristãos a ambicionar postos de mando na Terra. Aos "perdidos" cabe impor obediência e evitar que façam males maiores.
A participação na política não visa a uma transformação social, mas a travar a luta do bem contra o mal, sem lugar para o pluralismo. O bem se identifica com os ideais e interesses da própria igreja e de seus dirigentes. Volta-se à velha idéia da batalha espiritual que transforma em inimigo tudo com o que essa espiritualidade não concorda. Divide o mundo em dois campos: o lado de Deus (o lado da igreja) e o lado do mal, do demônio: todas as forças que divergem de sua maneira de ver a realidade.
A espiritualidade da prosperidade é uma resposta ao momento atual. Corresponde muito bem ao clima dominante da cultura pós-moderna a serviço do neoliberalismo. Daí sua sedução. Oferece o caminho rápido do sucesso sem passar pelo trabalho, pela renúncia, pelo esforço. O êxito econômico se faz até mesmo por vias suspeitas. Ele é sinal da bênção de Deus. A riqueza é vista no seu valor em si mesmo, sem nenhuma responsabilidade social. Muito distante da doutrina social da Igreja que defende a hipoteca social sobre toda posse. Os bens materiais são vistos como privilégio e bênção para alguns escolhidos de Deus e não destinados a todos. Produz-se uma identificação rápida entre a bênção de Deus e os bens materiais dos ricos.
Atém-se a uma interpretação literal e unilateral do Antigo Testamento. Esquece-se de que Jesus veio dar-lhe o verdadeiro sentido. Não se tem a mínima sensibilidade pela dimensão social nem pelo amor predileto de Deus pelo pobre. Os verdadeiros bens para o cristão encontram-se retratados por Jesus no sermão da montanha e na sua vida.
Jesus proclama bem-aventurados os pobres e não aqueles que nadam em riqueza e a ambicionam para si. Jesus invectiva aquele rico que só pensava em armazenar ainda mais seus bens. "Insensato! Esta noite mesmo a tua vida ser-te-á reclamada e o que tu preparaste, quem é o que o terá?" E conclui com um dito lapidar: "Eis o que acontece a quem reúne um tesouro para si mesmo, em vez de enriquecer junto a Deus" (Lc 12, 16-21)
Como se vê, é exatamente o oposto da espiritualidade da prosperidade que só pensa em entesourar para si e quanto mais, melhor. Esquece da condição mortal.
Mais ainda. Jesus refere-se diretamente à fragilidade dos bens terrestres que as traças e os vermes corroem; que os ladrões roubam. Conclui: "acumulai para vós tesouros no céu, onde nem as traças nem os vermes causam estragos, onde os ladrões não arrombam nem roubam". E termina com um dito de sabedoria: "onde está o teu tesouro, aí também estará o teu coração" (Mt 6, 19-21).
O ensinamento de Jesus sobre o seguimento situa-se em posição diametralmente oposta à espiritualidade da prosperidade. Na base está o desprendimento e não a acumulação. "Qualquer um de nós que não renuncia a tudo o que lhe pertence não pode ser meu discípulo" (Lc 14, 33).
Precisa ser de uma absoluta cegueira a respeito do evangelho de Jesus para propor uma espiritualidade da prosperidade como expressão do projeto de Deus. Este se manifestou em sua plenitude na pregação e pessoa de Jesus. As passagens do Antigo Testamento, que parecem identificar a bênção de Deus com a abundância dos bens, revelam um aspecto de seu projeto criador. Os bens criados estão destinados a todos os seres humanos e não a serem privilégio de alguns que se engolfam neles enquanto outros carecem de tudo. O Novo Testamento avança. Relativiza os bens materiais na perspectiva do irmão, do serviço aos outros, da própria missão.
A espiritualidade da prosperidade inverte o sentido cristão. É materialista, pagã. Nada cristã. Não se opondo ao canto de sereia do neoliberalismo, capitula. É a espiritualidade que justifica a injustiça social, tranqüilizando a consciência com tintura religiosa. Camufla a verdade da injustiça social, transferindo para Deus - bênção e maldição - a diferença social entre os humanos, fruto do sistema econômico, ao menos, na forma atual.
[www.jblibanio.com.br (site organizado pelo grupo de amigos e admiradores de JB Libanio. Confira desse autor o livro: Qual o futuro do Cristianismo? São Paulo, Paulus, 2006; 2ª. Ed. 2008)].
* Padre jesuíta, escritor e teólogo. Ensina na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte, e é vice-pároco em Vespasiano
"Algumas teses equivocadas sobre a América Latina (e o mundo)"
Postado por Attman e Kamadon
emir sader, blogueiro
1. A crise atual levou ao fim do neoliberalismo, da hegemonia norteamericana e levará ao fim do capitalismo.
- O maior equivoco desta visão é considerar que um modelo ou uma hegemonia ou um sistema social se termina sem que seja derrubado e/ou substituído por outro. Conforme o Sul do mundo ou outro bloco alternativo proponha alternativas e seja capaz de as construir. O neoliberalismo não terminou, se tempera com graus de apoio estatal.
2. Pode-se e deve-se “mudar o mundo sem tomar o poder”.
- O projeto de transformações profundas da sociedade “pela base” sem que desemboque na alteração das relações de poder não levou a nenhum processo real de transformação das sociedades latinoamericanas. Ao contrário, os movimentos sociais – como os bolivianos – que transformaram sua força social em força política, são os que protagonizam processos reais de mudança do mundo.
3. O Estado nacional se tornou um elemento conservador.
- Os governos progressistas da América Latina estão valendo-se do Estado, seja para regular a economia, para induzir o crescimento econômico, para desenvolver políticas sociais – entre outras funções -, enquanto os governo neoliberais são os que desdenham o Estado, transformam em mínimas suas funções e deixam espaço aberto para o mercado. Os processos de integração regional e de alianças no Sul do mundo também tem os Estados como protagonistas indispensáveis.
4. A política se tornou intranscendente.
Falsa afirmação. Os governos progressistas da América Latina resgataram o papel da política e do Estado. Se não tivessem feito isso, não poderiam reagir da forma como reagiram diante da crise.
5. Há milhões de “inimpregáveis” nas nossas sociedades.
- Esta afirmação, originalmente de Fernando Henrique Cardoso, tentava, buscava justificativas para os governos oligárquicos, que sempre governaram só para uma parte da sociedade,excluindo aos mais pobres, agora sob pretexto de um suposto “desemprego tecnológico”, que prescindiria de grande parte dos trabalhadores. Os governos progressistas associam retomada do desenvolvimento econômico com elevação constante do emprego formal e aumento do poder aquisitivo dos salários.
6. Os movimentos sociais devem se manter autônomos em relação à política.
- Os movimentos sociais que obedeceram a essa visão abandonaram a disputa pela construção de hegemonias alternativas, isolando-se, quando não desaparecendo da cena política, quando se passou da fase de resistência à de construção de alternativas. Enquanto que movimentos como os indígenas, na Bolivia, formaram um partido – o MAS -, disputaram e elegeram seu maior líder presidente da república. Em outros países, os movimentos sociais participam de blocos de forças dos governos progressistas, mantendo sua autonomia, mas participando diretamente da disputa pela construção de nova hegemonia política.
7. Só se sai do neoliberalismo para o socialismo.
- Houve quem afirmasse que o capitalismo tendo chegado a seu limite – seja pela mercantilização geral das sociedades, seja pela hegemonia do capital financeiro – com o modelo neoliberal, só se sairia para o socialismo. Sem levar em conta as regressões nos fatores de construção do socialismo nas ultimas décadas, não apenas o desprestigio do socialismo, do Estado, da política, das soluções coletivas, do mundo do trabalho, entre outros. As transformações introduzidas pelo neoliberalismo – entre elas, a fragmentação social, o “modo de vida norteamericano” como forma dominante de sociabilidade – representam obstáculos a ser vencidos em longa e profunda luta política e ideológica, para recolocar o socialismo na ordem do dia.
8. A alternativa aos governos do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, está à esquerda e não à direita.
- O fracasso das tentativas de construção de alternativas radicais, à esquerda desses governos, confirma que a polarização política se dá entre os governos progressistas e as forças de direita. Esta situação tem levado a que, freqüentemente, setores ideologicamente situados à esquerda desses governos, tenham – objetivamente ou mesmo conscientemente – se aliado ao bloco de direita, terminando por definir, na prática, nem sequer uma eqüidistância dos dois blocos constituídos, mas até mesmo considerando ao bloco progressista como seu inimigo fundamental.
9. Os processos de integração atuais são de natureza “capitalista”.
- Esta visão desqualifica todos os processos de integração regional, porque não se dariam mediante uma ruptura com o mercado capitalista internacional, porque representariam integrações no marco de sociedades capitalistas. Se incluiriam não apenas Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, mas também Venezuela, Bolívia, Equador. Se deixa de compreender a importância da criação de espaços de intercambio alternativos aos Tratados de Livre Comércio. Não se entende a importância da luta por um mundo multipolar, debilitando a unipolaridade imperial norteamericana. Não se entende como a Alba promove formas de intercambio alternativas ao mercado, às regras da OMC, na direção do que o FSM chama de “comércio justo”, solidário, de complementaridade e não de competição.
10. Existe uma esquerda boa e uma esquerda ruim.
- Quem prega esta posição quer dividir a esquerda, tentando cooptar seus setores mais moderados e isolar os mais radicais. A esquerda é antineoliberal e não a favor dos TLCs, privilegia as políticas sociais e não os ajustes fiscais, com os matizes que tenha cada um dos governos progressistas.
11. O período atual é de retrocessos na América Latina.
- Alguns setores, com critérios desvinculados da realidade concreta, difundem visões pessimistas e desalentadoras sobre a América Latina. Às vezes usam o critério da posição dos movimentos sociais de cada país em relação à constituição dos governos, para definir se há avanços ou não, ao invés de definir a natureza desses movimentos em função da posição que tem em relação a esses governos. Subordinam o social ao político, sem se darem conta dos extraordinários avanços do continente, ainda mais se comparados com a década anterior e com o marco internacional, profundamente marcado pelo predomínio conservador. É um pessimismo produto do isolamento social, de quem está à margem das formas concretas pelas quais avança a história no continente.
12. Em eleições como a uruguaia, a brasileira e a argentina, para a esquerda, tanto faz quem ganhe.
- Há quem diga isso, como se a vitória de Lacalle ou de Mujica representassem a mesma coisa para o Uruguai e para a América Latina, como se o retorno dos tucanos ou a vitória de Dilma tivesse o mesmo sentido, como se a substituição dos Kirchner por Duhalde, Reuteman, Cobos ou algum outro prócer da direita argentina, significasse o mesmo para o país. Consideram que se tratariam de “contradições interburguesas”, sem maior incidência, desconhecendo o alinhamento das principais forças políticas e sociais de cada um dos dois lados, mas sobretudo as posições – de aprofundamento e extensão dos processos de integração regional ou de TLCs, de prioridade das políticas sociais ou de ajuste fiscal, do papel do Estado, da atitude em relação às lutas sociais, ao monopólio da mídia privada, ao capital financeiro, entre outro temas, que diferenciam claramente os dois campos.
13. O nacionalismo latinoamericano contemporâneo é de caráter “burguês”.
- Desde que ressurgiam ideologias nacionalistas na América Latina, com Hugo Chavez, houve gente que se apressou a comparar com Perón, a desqualificar como “nacionalismo burguês” ou simplesmente de nacionalismo, que nada teria a ver com luta anticapitalista, etc. Usaram, aqui também, clichês, sem fazer analises concretas das situações concretas. O nacionalismo de governos como os da Venezuela, da Bolívia, do Equador, que recuperam para o país os recursos naturais fundamentais de que dispõem, são parte integrante da plataforma antineoliberal e anticapitalista desses países. Cada fenômeno adquire natureza distinta, conforme o contexto que está inserido, cada reivindicação, conforme o governo, assume caráter diferente. No caso do nacionalismo atual na América Latina, ele promove, além disso, processos de integração regional, tendo assim um caráter não apenas nacional, mas latinoamericanista.
Postado por Emir Sader
emir sader, blogueiro
1. A crise atual levou ao fim do neoliberalismo, da hegemonia norteamericana e levará ao fim do capitalismo.
- O maior equivoco desta visão é considerar que um modelo ou uma hegemonia ou um sistema social se termina sem que seja derrubado e/ou substituído por outro. Conforme o Sul do mundo ou outro bloco alternativo proponha alternativas e seja capaz de as construir. O neoliberalismo não terminou, se tempera com graus de apoio estatal.
2. Pode-se e deve-se “mudar o mundo sem tomar o poder”.
- O projeto de transformações profundas da sociedade “pela base” sem que desemboque na alteração das relações de poder não levou a nenhum processo real de transformação das sociedades latinoamericanas. Ao contrário, os movimentos sociais – como os bolivianos – que transformaram sua força social em força política, são os que protagonizam processos reais de mudança do mundo.
3. O Estado nacional se tornou um elemento conservador.
- Os governos progressistas da América Latina estão valendo-se do Estado, seja para regular a economia, para induzir o crescimento econômico, para desenvolver políticas sociais – entre outras funções -, enquanto os governo neoliberais são os que desdenham o Estado, transformam em mínimas suas funções e deixam espaço aberto para o mercado. Os processos de integração regional e de alianças no Sul do mundo também tem os Estados como protagonistas indispensáveis.
4. A política se tornou intranscendente.
Falsa afirmação. Os governos progressistas da América Latina resgataram o papel da política e do Estado. Se não tivessem feito isso, não poderiam reagir da forma como reagiram diante da crise.
5. Há milhões de “inimpregáveis” nas nossas sociedades.
- Esta afirmação, originalmente de Fernando Henrique Cardoso, tentava, buscava justificativas para os governos oligárquicos, que sempre governaram só para uma parte da sociedade,excluindo aos mais pobres, agora sob pretexto de um suposto “desemprego tecnológico”, que prescindiria de grande parte dos trabalhadores. Os governos progressistas associam retomada do desenvolvimento econômico com elevação constante do emprego formal e aumento do poder aquisitivo dos salários.
6. Os movimentos sociais devem se manter autônomos em relação à política.
- Os movimentos sociais que obedeceram a essa visão abandonaram a disputa pela construção de hegemonias alternativas, isolando-se, quando não desaparecendo da cena política, quando se passou da fase de resistência à de construção de alternativas. Enquanto que movimentos como os indígenas, na Bolivia, formaram um partido – o MAS -, disputaram e elegeram seu maior líder presidente da república. Em outros países, os movimentos sociais participam de blocos de forças dos governos progressistas, mantendo sua autonomia, mas participando diretamente da disputa pela construção de nova hegemonia política.
7. Só se sai do neoliberalismo para o socialismo.
- Houve quem afirmasse que o capitalismo tendo chegado a seu limite – seja pela mercantilização geral das sociedades, seja pela hegemonia do capital financeiro – com o modelo neoliberal, só se sairia para o socialismo. Sem levar em conta as regressões nos fatores de construção do socialismo nas ultimas décadas, não apenas o desprestigio do socialismo, do Estado, da política, das soluções coletivas, do mundo do trabalho, entre outros. As transformações introduzidas pelo neoliberalismo – entre elas, a fragmentação social, o “modo de vida norteamericano” como forma dominante de sociabilidade – representam obstáculos a ser vencidos em longa e profunda luta política e ideológica, para recolocar o socialismo na ordem do dia.
8. A alternativa aos governos do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, está à esquerda e não à direita.
- O fracasso das tentativas de construção de alternativas radicais, à esquerda desses governos, confirma que a polarização política se dá entre os governos progressistas e as forças de direita. Esta situação tem levado a que, freqüentemente, setores ideologicamente situados à esquerda desses governos, tenham – objetivamente ou mesmo conscientemente – se aliado ao bloco de direita, terminando por definir, na prática, nem sequer uma eqüidistância dos dois blocos constituídos, mas até mesmo considerando ao bloco progressista como seu inimigo fundamental.
9. Os processos de integração atuais são de natureza “capitalista”.
- Esta visão desqualifica todos os processos de integração regional, porque não se dariam mediante uma ruptura com o mercado capitalista internacional, porque representariam integrações no marco de sociedades capitalistas. Se incluiriam não apenas Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, mas também Venezuela, Bolívia, Equador. Se deixa de compreender a importância da criação de espaços de intercambio alternativos aos Tratados de Livre Comércio. Não se entende a importância da luta por um mundo multipolar, debilitando a unipolaridade imperial norteamericana. Não se entende como a Alba promove formas de intercambio alternativas ao mercado, às regras da OMC, na direção do que o FSM chama de “comércio justo”, solidário, de complementaridade e não de competição.
10. Existe uma esquerda boa e uma esquerda ruim.
- Quem prega esta posição quer dividir a esquerda, tentando cooptar seus setores mais moderados e isolar os mais radicais. A esquerda é antineoliberal e não a favor dos TLCs, privilegia as políticas sociais e não os ajustes fiscais, com os matizes que tenha cada um dos governos progressistas.
11. O período atual é de retrocessos na América Latina.
- Alguns setores, com critérios desvinculados da realidade concreta, difundem visões pessimistas e desalentadoras sobre a América Latina. Às vezes usam o critério da posição dos movimentos sociais de cada país em relação à constituição dos governos, para definir se há avanços ou não, ao invés de definir a natureza desses movimentos em função da posição que tem em relação a esses governos. Subordinam o social ao político, sem se darem conta dos extraordinários avanços do continente, ainda mais se comparados com a década anterior e com o marco internacional, profundamente marcado pelo predomínio conservador. É um pessimismo produto do isolamento social, de quem está à margem das formas concretas pelas quais avança a história no continente.
12. Em eleições como a uruguaia, a brasileira e a argentina, para a esquerda, tanto faz quem ganhe.
- Há quem diga isso, como se a vitória de Lacalle ou de Mujica representassem a mesma coisa para o Uruguai e para a América Latina, como se o retorno dos tucanos ou a vitória de Dilma tivesse o mesmo sentido, como se a substituição dos Kirchner por Duhalde, Reuteman, Cobos ou algum outro prócer da direita argentina, significasse o mesmo para o país. Consideram que se tratariam de “contradições interburguesas”, sem maior incidência, desconhecendo o alinhamento das principais forças políticas e sociais de cada um dos dois lados, mas sobretudo as posições – de aprofundamento e extensão dos processos de integração regional ou de TLCs, de prioridade das políticas sociais ou de ajuste fiscal, do papel do Estado, da atitude em relação às lutas sociais, ao monopólio da mídia privada, ao capital financeiro, entre outro temas, que diferenciam claramente os dois campos.
13. O nacionalismo latinoamericano contemporâneo é de caráter “burguês”.
- Desde que ressurgiam ideologias nacionalistas na América Latina, com Hugo Chavez, houve gente que se apressou a comparar com Perón, a desqualificar como “nacionalismo burguês” ou simplesmente de nacionalismo, que nada teria a ver com luta anticapitalista, etc. Usaram, aqui também, clichês, sem fazer analises concretas das situações concretas. O nacionalismo de governos como os da Venezuela, da Bolívia, do Equador, que recuperam para o país os recursos naturais fundamentais de que dispõem, são parte integrante da plataforma antineoliberal e anticapitalista desses países. Cada fenômeno adquire natureza distinta, conforme o contexto que está inserido, cada reivindicação, conforme o governo, assume caráter diferente. No caso do nacionalismo atual na América Latina, ele promove, além disso, processos de integração regional, tendo assim um caráter não apenas nacional, mas latinoamericanista.
Postado por Emir Sader
sexta-feira, 28 de maio de 2010
"Coletivo e singular"
Postado por Kamadon
Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'
Participante: Onde está o Criador?
Na sua cabeça. Se existe um Criador, Ele está na sua cabeça. Esqueça o Criador.
Para haver um Criador era preciso haver uma criatura, porque não pode haver um Criador sem uma criação. Quem seria a criatura? Você? Mas, se você é o que a mente diz, então a criatura é a mente. Neste caos, então, quem é você?
Por favor, parem de ser que nem cachorro: correndo atrás do rabo. Parem de acreditar em conceitos que vocês têm e dizem que todo mundo tem. Só você acredita nas coisas que você acredita...
Entendam uma coisa: só existe você no mundo. Ou melhor, só existe o mundo que você-mente cria. Não existe mais ninguém, mais nada. Não existe Deus, não existe espírito, não existe mundo espiritual, não existe nada. Não existe Cristo, Buda ou Krishna. Tudo isso são criações da sua mente. Os fatos históricos, a descoberta do Brasil, da América, tudo isso é criação da sua mente. A Atlântida, o ano 2012, tudo isso é criação da sua mente. Não existe tempo, como é que vai existir passado ou futuro?
É esse o grande problema. Não dá para você reservar coisas para acreditar. Se você acreditar em Deus, vai sofrer.
Parem com isso. Entendam que Deus é uma criação da sua mente. Para quê a mente cria qualquer coisa? Para lhe prender no prazer e na dor. Quando ela cria a ideia de existir um Deus, eis aí um caminho aberto para você ir para o prazer ou para a dor. Não importa o que venha à sua mente, tudo o que ela fala é um mundo que ela cria para você viver.
Ouçam bem isso: Joaquim não existe. Eu sou uma criação da mente de vocês. O ensinamento de Joaquim, também não existe: é uma criação da mente de vocês. É o seu mundo sendo criado e gerado pela mente.
Falo sempre que precisamos chegar ao nada absoluto, mas a mente de vocês quer chegar a um nada que contenha apenas tudo o que você quer tirar. Neste nada não é colocado o que você-mente quer manter. Nestas coisas você acredita.
Agora, como vimos no caso do ter vaidade, se você acreditar em uma coisa, vai acreditar em outra, outra, outra.... Quando cai em si, está longe da primeira coisa que acreditou. Neste caso, como disse, não consegue tirar a rolha do fundo da piscina.
O que precisa ser feito é mergulhar, mergulhar, mergulhar cada vez mais. Não tenha medo de perder o ar que, porque isso você não perde. Se tiver esse medo, vai voltar do meio do caminho...
Mergulhem sempre, filhos. Não importa o que a mente está dizendo mergulhem mais fundo. Não importa o mundo que a mente está criando, libertem-se de tudo.
Com esta conversa o que quero que vocês compreendam é: neste mundo não existe coletivo, só o singular. Só existe você. Ah, existe uma mente que cria um mundo para você, mas ela só vai conseguir fazer isso, se você acreditar no que ela cria.
Nós estudamos um livro chamado 'Baghavata Puranas'. Nele, um discípulo de Krishna pergunta assim: 'A mente primária é escrava da secundária?' O Bendito Senhor responde: 'Sim, a mente primária é escrava da Secundária. Mas, se entendermos que a mente secundária é uma ilusão e a própria escravidão é uma ilusão, eu diria que não. A mente primária não é escrava da secundária'.
É isso que vocês não entenderam. Vocês querem agir no mundo e ainda não entenderam que o mundo não existe. O mundo é apenas uma criação da mente para você.
Seus filhos, sua família, sua mulher, você, seu corpo, sua beleza, sua vaidade... Tudo foi criado, nada existe... Foi criado, não de uma forma real, mas ilusória. E você ao invés de simplesmente compreender isso e lutar para libertar-se disso, quer saber como agir nisso, ou seja, você, como diz o próprio Krishna ao mesmo discípulo, virou um fantasma.
Fantasma é aquele que acha que existe, quando não existe; aquele que acha que age onde não pode agir.
Portanto, fica a mensagem: só existe o singular, você. Ilusoriamente existe um mundo, mas nele o você-observador não é nada, não tem nada, não faz nada, não sente nada.... Isso porque o mundo onde existe tudo isso, é um mundo ilusório, criado pela mente para você.
Se alguém se lembra, quando falei sobre o Universo Universal na lógica humana disse que não existe nem Universo, pois ele está dentro de cada um. É o que eu estou acabando de dizer de novo.
Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'
Participante: Onde está o Criador?
Na sua cabeça. Se existe um Criador, Ele está na sua cabeça. Esqueça o Criador.
Para haver um Criador era preciso haver uma criatura, porque não pode haver um Criador sem uma criação. Quem seria a criatura? Você? Mas, se você é o que a mente diz, então a criatura é a mente. Neste caos, então, quem é você?
Por favor, parem de ser que nem cachorro: correndo atrás do rabo. Parem de acreditar em conceitos que vocês têm e dizem que todo mundo tem. Só você acredita nas coisas que você acredita...
Entendam uma coisa: só existe você no mundo. Ou melhor, só existe o mundo que você-mente cria. Não existe mais ninguém, mais nada. Não existe Deus, não existe espírito, não existe mundo espiritual, não existe nada. Não existe Cristo, Buda ou Krishna. Tudo isso são criações da sua mente. Os fatos históricos, a descoberta do Brasil, da América, tudo isso é criação da sua mente. A Atlântida, o ano 2012, tudo isso é criação da sua mente. Não existe tempo, como é que vai existir passado ou futuro?
É esse o grande problema. Não dá para você reservar coisas para acreditar. Se você acreditar em Deus, vai sofrer.
Parem com isso. Entendam que Deus é uma criação da sua mente. Para quê a mente cria qualquer coisa? Para lhe prender no prazer e na dor. Quando ela cria a ideia de existir um Deus, eis aí um caminho aberto para você ir para o prazer ou para a dor. Não importa o que venha à sua mente, tudo o que ela fala é um mundo que ela cria para você viver.
Ouçam bem isso: Joaquim não existe. Eu sou uma criação da mente de vocês. O ensinamento de Joaquim, também não existe: é uma criação da mente de vocês. É o seu mundo sendo criado e gerado pela mente.
Falo sempre que precisamos chegar ao nada absoluto, mas a mente de vocês quer chegar a um nada que contenha apenas tudo o que você quer tirar. Neste nada não é colocado o que você-mente quer manter. Nestas coisas você acredita.
Agora, como vimos no caso do ter vaidade, se você acreditar em uma coisa, vai acreditar em outra, outra, outra.... Quando cai em si, está longe da primeira coisa que acreditou. Neste caso, como disse, não consegue tirar a rolha do fundo da piscina.
O que precisa ser feito é mergulhar, mergulhar, mergulhar cada vez mais. Não tenha medo de perder o ar que, porque isso você não perde. Se tiver esse medo, vai voltar do meio do caminho...
Mergulhem sempre, filhos. Não importa o que a mente está dizendo mergulhem mais fundo. Não importa o mundo que a mente está criando, libertem-se de tudo.
Com esta conversa o que quero que vocês compreendam é: neste mundo não existe coletivo, só o singular. Só existe você. Ah, existe uma mente que cria um mundo para você, mas ela só vai conseguir fazer isso, se você acreditar no que ela cria.
Nós estudamos um livro chamado 'Baghavata Puranas'. Nele, um discípulo de Krishna pergunta assim: 'A mente primária é escrava da secundária?' O Bendito Senhor responde: 'Sim, a mente primária é escrava da Secundária. Mas, se entendermos que a mente secundária é uma ilusão e a própria escravidão é uma ilusão, eu diria que não. A mente primária não é escrava da secundária'.
É isso que vocês não entenderam. Vocês querem agir no mundo e ainda não entenderam que o mundo não existe. O mundo é apenas uma criação da mente para você.
Seus filhos, sua família, sua mulher, você, seu corpo, sua beleza, sua vaidade... Tudo foi criado, nada existe... Foi criado, não de uma forma real, mas ilusória. E você ao invés de simplesmente compreender isso e lutar para libertar-se disso, quer saber como agir nisso, ou seja, você, como diz o próprio Krishna ao mesmo discípulo, virou um fantasma.
Fantasma é aquele que acha que existe, quando não existe; aquele que acha que age onde não pode agir.
Portanto, fica a mensagem: só existe o singular, você. Ilusoriamente existe um mundo, mas nele o você-observador não é nada, não tem nada, não faz nada, não sente nada.... Isso porque o mundo onde existe tudo isso, é um mundo ilusório, criado pela mente para você.
Se alguém se lembra, quando falei sobre o Universo Universal na lógica humana disse que não existe nem Universo, pois ele está dentro de cada um. É o que eu estou acabando de dizer de novo.
"Consciência"
Postado por Kamadon
Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'
Anteriormente tinha dito: existe um observador, um observado e uma observação. Só isso existe no Universo de cada um. Disse ainda: o observador é você...
Quando disse isso, não estava mentindo, mas não estava dando a explicação completa. Isso porque a sua identidade, o 'você' que imagina ser, é falso. Tanto que disse depois: o 'eu' que você diz ser é a mente. Ela é o 'eu': o 'eu' que ri, chora, namora, que come e dorme...
Portanto, quando disse que o observador é você, não estava mentindo. Mas, você não é aquele que imagina ser.
Isso é importante de se salientar porque vocês estão querendo ser vocês mesmos, serem o observador, mas não conseguem. Não conseguem ser o observador porque ainda acham que a identidade gerada pela mente é vocês.
Na verdade, para a execução do trabalho, é preciso entender que o observador não é você. Não é que você não seja o observador, mas ele não é o 'você' que acredita ser. Aquilo que vocês estão chamando de observador ainda é apenas a identidade gerada pela mente...
Este é o primeiro ponto que gostaria de deixar bem claro para poder introduzir um novo elemento em nossas conversas. O você que imagina ser é o você-mente, pois o você-observador não é conhecido por você mesmo. Na continuação desta conversa será entendido porque foi importante esse preâmbulo...
Além do observador, como disse, existe um observado... Quando dei a definição sobre estes elementos disse que o observado é a mente. No entanto, lembrem-se de outra coisa que falei: não existe uma mente como elemento, mas apenas pensamentos. Os pensamentos são a mente; não existe um elemento chamado mente que pensa...
A partir disso, pergunto: porque chamo de observado o pensamento? Porque é isto que o observador deve observar. O pensamento é aquilo que é observado pelo observador.. .
Agora, se vocês repararem nas suas perguntas, nas suas dúvidas, nas suas preocupações, verão que não estão observando o pensamento, mas a observação, ou seja, a criação do pensamento. Vocês estão observando os fatos externos, os posicionamentos externos. Não estão observando estes elementos como criações da mente, como frutos do pensamento, mas sim como realidades.. .
O observador não observa o mundo externo. Ele observa a mente, o pensamento e não a ação, o outro, o carro, a casa, a falta de emprego... A diferença entre uma coisa e outra é muito grande...
Quem observa a falta de emprego, observa a falta de emprego. Quem observa o pensamento criando a ideia da falta de emprego, observa o pensamento. Quem observa a falta de emprego, vai observar o porque não tem emprego, onde está errando e por isso não o tem, o que precisa melhorar para poder tê-lo. Quem observa a mente criando a ideia de não ter emprego vai analisar o pesamento e não a falta de emprego.
Quem entende que o observado pelo observador é o pensamento e não que vocês chamam de vida, está sempre buscando ver o pensamento que cria a ideia e não a vida, os acontecimentos ou o reflexo deles... Há uma diferença muito grande entre observar um pensamento que cria a ideia de não ter emprego e observar a falta de emprego...
Isso porque quando se observa o pensamento, observa-se uma história sendo narrada. Quando se observa a vida, a falta de emprego neste caso, observa-se a ação da história. Quem observa a ação da história, a vivencia...
É difícil deixar de sentir falta de um emprego enquanto se viver a vida. Enquanto o observador for o 'eu' da história, a falta de emprego será algo tangível, assim como o ter emprego, estar empregado, também... Neste caso, é inexorável que se vivencie as emoções que a mente cria junto com estas situações...
É porque vocês não estão observando o pensamento mas sim o mundo, que aceitam como real um elemento que o pensamento cria: a vida... Ou seja, o conjunto de ações, percepções, sensações e emoções...
Já me perguntaram muito sobre emoções, mas quem se emociona? A mente? Não... O observador? Não... Na verdade não existe uma emoção. Toda emoção que a mente cria é uma observação que o observado cria...
A mente não sente uma emoção: ela cria a ideia de haver uma... Se você está analisando a vida, está analisando uma emoção, ou seja, observando uma emoção. Quando o observador observa o observado, ele observa o pensamento que constrói a emoção e não ela própria... A emoção não existe, pois ela é uma criação do observado, uma observação...
Falei tudo isso para poder introduzir um elemento novo na nossa conversa. Ele é conhecido do mundo humano. Chama-se: consciência.. . Ter a consciência de alguma coisa...
O que é ter consciência de algo? É ter um pensamento que crie a existência daquilo... Tudo que você-observador tem consciência de existir é um pensamento que cria a ideia daquilo existir. Na verdade aquilo não existe... Vamos ver um exemplo para entender melhor...
Neste momento o você-mente está agora sentado ou deitado dentro de um cômodo na frente do computador me ouvindo falar. Isso para vocês é uma realidade e é isso que observam. Mas, nada disso é real: nem você, nem a sua posição, nem o cômodo, nem o computador e nem o que está ouvindo. Cada um destes elementos são um pensamento gerando uma consciência, ou seja, criando uma realidade...
O 'você' é uma consciência da mente, um pensamento. Você só se reconhece como você porque há um pensamento que diz: 'Isso é você'... Se não houvesse, o observador nunca saberia nada sobre aquela imagem...
O corpo não existe. Na verdade o que existe é uma consciência criada pela mente, ou seja, a ideia de existir um corpo. O cômodo que você está não existe: o que existe é a ideia dele existir. Mas, como isso lhe chega como uma consciência e como você-observador não está atento ao pensamento que o cria mas sim à própria consciência, ou seja, o que vocês chamam de vida, vivem o cômodo como algo real. Por isso passam a observar o cômodo e com isso não conseguem observar o pensamento. Neste momento, embarcam no fluxo das ideias e são levados a vivenciar tudo o que a mente continua criando...
Vocês já repararam na representação gráfica de uma gravação de som? O que ela contém? Linhas que sobem e descem... O que representa cada linha desta? Uma onda eletromagnética. Na verdade, a gravação de um som não é a gravação de uma palavra, mas sim de uma onda eletromagnética. ..
A partir disso pegunto: o que é voz? Uma onda eletromagnética. .. Então, você não ouve palavras, mas ondas eletromagnéticas. .. Pergunto, então: como cada onda eletromagnética se transforma em palavras, em coisas inteligíveis? Onde a onda se transforma em palavras? No pensamento.. .
Um pensamento capta uma onda, que ele mesmo criou, e a transforma em uma palavra. Depois vem outro pensamento que cria uma compreensão, diz o que representa aquela palavra. Ou seja, não há palavras: tudo é processo mental, é geração mental...
Sendo assim, você não está me ouvindo, mas tendo a consciência de ouvir algo. Você não está ouvindo, mas recebendo uma ideia de ouvir. Além disso, está recebendo da própria mente a ideia de ter determinada compreensão a partir daquela ideia...
Compreenderam? Não há mundo, não há vida para ser observada... O que existe é uma sucessão de consciências que a mente cria... Por isso anteriormente já tinha dito: quem vive a a vida é a mente e não o observador.. .
O observador não vive vida porque não há vida para ele viver... Isso porque aquilo que vocês chamam de vida são consciências geradas pelo pensamento, ou seja, ideia de existir.
Isso é muito importante de se compreender. Como disse, esse trabalho é longo. Até aqui deixei vocês perguntarem do mundo à vontade, mas não vou mais fazer isso, pois não há mundo para se agir. Não se consegue ser feliz de verdade agindo no mundo, mas sim observando a mente.
Quando passo a observar a mente, o que é compreendido? Quando se observa o pensamento, o que é descoberto? Que nada está acontecendo. .. A única coisa que está acontecendo é um pensamento criando a ideia de estar acontecendo alguma coisa...
Será neste aspecto que iremos fala muito daqui para frente: não há nada acontecendo. .. Portanto, não adianta o observador querer observar acontecimentos. É preciso compreender que o que você chama de acontecimento é apenas uma consciência que a mente está gerando e o observador precisa observar o pensamento, ou seja, saber que aquilo é apenas uma consciência e não uma realidade...
Não sei se vocês se lembram, mas em Krishna estudamos o seguinte ensinamento: a faca não o fere, o fogo não o queima e a chuva não o molha. Porque isso acontece ao homem sábio? Porque ele sabe que não existe se molhar...
A água bate no corpo, ou seja no observado e não no observador. Como o homem sábio sabe que o encontro da água com o corpo é apenas uma consciência gerada pela mente, ele não vive a próxima ideia, ou seja, o sentir-se molhado. Ele não se molha porque, além de saber que sentir-se molhado é uma consciência criada pela mente, sabe que ela é decorrência da consciência de haver um corpo, a água e do encontro das duas coisas...
Por isso, ao invés de viver o 'estar molhado', o homem sábio diz: a mente está molhada e não 'eu'... Mas, isso só é possível porque a ação de molhar também foi interpretada como uma consciência e não como uma realidade, como acontecimento da vida. Se vivesse isso como real, fatalmente este homem se sentiria molhado...
Estar molhado é uma consciência gerada pela mente. Ela é vivida obrigatoriamente como real pelo observador quando ele acredita que existe um corpo, uma água e o contato entre eles...
Por isso o homem sábio não se preocupa em secar-se, em não sentir a água e nem em procurar um guarda-chuva. Ele preocupa-se sim em entender que tudo isso é apenas uma consciência gerada pela mente...
O homem sábio não se preocupa em observar o mundo externo porque ele sabe que este é apenas uma consciência gerada pela mente: a ideia de estar acontecendo aquilo. Quando tem essa compreensão, o homem sábio não se preocupa com o conteúdo do pensamento, mas em libertar-se da consciência gerada por ele...
Esta é a melhor forma de se libertar do prazer e da dor gerado pela mente e alcançar a verdadeira felicidade: saber que tudo o que é chamado de vida é apenas uma consciência gerada pela mente e não uma realidade... Enquanto não se entender que a vida é apenas um processo mental e não físico, estará se compactuando com a mente neste aspecto e libertar-se dos demais é quase impossível... Para estes o sofrimento e o prazer são inexoráveis.
Portanto, daqui para frente vamos bater muito neste aspecto: existe um observador, que não é você; este observador vive apenas pensamentos, ou consciências que o pensamento cria; e é preciso entender que tudo é apenas consciência gerada pelo pensamento.
O observador, portanto, precisa compreender que tudo que existe são apenas consciências geradas pela mente e não coisa reais. A partir disso deve deixar de querer agir na consciência ou naquilo que vocês chamam de realidade...
Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'
Anteriormente tinha dito: existe um observador, um observado e uma observação. Só isso existe no Universo de cada um. Disse ainda: o observador é você...
Quando disse isso, não estava mentindo, mas não estava dando a explicação completa. Isso porque a sua identidade, o 'você' que imagina ser, é falso. Tanto que disse depois: o 'eu' que você diz ser é a mente. Ela é o 'eu': o 'eu' que ri, chora, namora, que come e dorme...
Portanto, quando disse que o observador é você, não estava mentindo. Mas, você não é aquele que imagina ser.
Isso é importante de se salientar porque vocês estão querendo ser vocês mesmos, serem o observador, mas não conseguem. Não conseguem ser o observador porque ainda acham que a identidade gerada pela mente é vocês.
Na verdade, para a execução do trabalho, é preciso entender que o observador não é você. Não é que você não seja o observador, mas ele não é o 'você' que acredita ser. Aquilo que vocês estão chamando de observador ainda é apenas a identidade gerada pela mente...
Este é o primeiro ponto que gostaria de deixar bem claro para poder introduzir um novo elemento em nossas conversas. O você que imagina ser é o você-mente, pois o você-observador não é conhecido por você mesmo. Na continuação desta conversa será entendido porque foi importante esse preâmbulo...
Além do observador, como disse, existe um observado... Quando dei a definição sobre estes elementos disse que o observado é a mente. No entanto, lembrem-se de outra coisa que falei: não existe uma mente como elemento, mas apenas pensamentos. Os pensamentos são a mente; não existe um elemento chamado mente que pensa...
A partir disso, pergunto: porque chamo de observado o pensamento? Porque é isto que o observador deve observar. O pensamento é aquilo que é observado pelo observador.. .
Agora, se vocês repararem nas suas perguntas, nas suas dúvidas, nas suas preocupações, verão que não estão observando o pensamento, mas a observação, ou seja, a criação do pensamento. Vocês estão observando os fatos externos, os posicionamentos externos. Não estão observando estes elementos como criações da mente, como frutos do pensamento, mas sim como realidades.. .
O observador não observa o mundo externo. Ele observa a mente, o pensamento e não a ação, o outro, o carro, a casa, a falta de emprego... A diferença entre uma coisa e outra é muito grande...
Quem observa a falta de emprego, observa a falta de emprego. Quem observa o pensamento criando a ideia da falta de emprego, observa o pensamento. Quem observa a falta de emprego, vai observar o porque não tem emprego, onde está errando e por isso não o tem, o que precisa melhorar para poder tê-lo. Quem observa a mente criando a ideia de não ter emprego vai analisar o pesamento e não a falta de emprego.
Quem entende que o observado pelo observador é o pensamento e não que vocês chamam de vida, está sempre buscando ver o pensamento que cria a ideia e não a vida, os acontecimentos ou o reflexo deles... Há uma diferença muito grande entre observar um pensamento que cria a ideia de não ter emprego e observar a falta de emprego...
Isso porque quando se observa o pensamento, observa-se uma história sendo narrada. Quando se observa a vida, a falta de emprego neste caso, observa-se a ação da história. Quem observa a ação da história, a vivencia...
É difícil deixar de sentir falta de um emprego enquanto se viver a vida. Enquanto o observador for o 'eu' da história, a falta de emprego será algo tangível, assim como o ter emprego, estar empregado, também... Neste caso, é inexorável que se vivencie as emoções que a mente cria junto com estas situações...
É porque vocês não estão observando o pensamento mas sim o mundo, que aceitam como real um elemento que o pensamento cria: a vida... Ou seja, o conjunto de ações, percepções, sensações e emoções...
Já me perguntaram muito sobre emoções, mas quem se emociona? A mente? Não... O observador? Não... Na verdade não existe uma emoção. Toda emoção que a mente cria é uma observação que o observado cria...
A mente não sente uma emoção: ela cria a ideia de haver uma... Se você está analisando a vida, está analisando uma emoção, ou seja, observando uma emoção. Quando o observador observa o observado, ele observa o pensamento que constrói a emoção e não ela própria... A emoção não existe, pois ela é uma criação do observado, uma observação...
Falei tudo isso para poder introduzir um elemento novo na nossa conversa. Ele é conhecido do mundo humano. Chama-se: consciência.. . Ter a consciência de alguma coisa...
O que é ter consciência de algo? É ter um pensamento que crie a existência daquilo... Tudo que você-observador tem consciência de existir é um pensamento que cria a ideia daquilo existir. Na verdade aquilo não existe... Vamos ver um exemplo para entender melhor...
Neste momento o você-mente está agora sentado ou deitado dentro de um cômodo na frente do computador me ouvindo falar. Isso para vocês é uma realidade e é isso que observam. Mas, nada disso é real: nem você, nem a sua posição, nem o cômodo, nem o computador e nem o que está ouvindo. Cada um destes elementos são um pensamento gerando uma consciência, ou seja, criando uma realidade...
O 'você' é uma consciência da mente, um pensamento. Você só se reconhece como você porque há um pensamento que diz: 'Isso é você'... Se não houvesse, o observador nunca saberia nada sobre aquela imagem...
O corpo não existe. Na verdade o que existe é uma consciência criada pela mente, ou seja, a ideia de existir um corpo. O cômodo que você está não existe: o que existe é a ideia dele existir. Mas, como isso lhe chega como uma consciência e como você-observador não está atento ao pensamento que o cria mas sim à própria consciência, ou seja, o que vocês chamam de vida, vivem o cômodo como algo real. Por isso passam a observar o cômodo e com isso não conseguem observar o pensamento. Neste momento, embarcam no fluxo das ideias e são levados a vivenciar tudo o que a mente continua criando...
Vocês já repararam na representação gráfica de uma gravação de som? O que ela contém? Linhas que sobem e descem... O que representa cada linha desta? Uma onda eletromagnética. Na verdade, a gravação de um som não é a gravação de uma palavra, mas sim de uma onda eletromagnética. ..
A partir disso pegunto: o que é voz? Uma onda eletromagnética. .. Então, você não ouve palavras, mas ondas eletromagnéticas. .. Pergunto, então: como cada onda eletromagnética se transforma em palavras, em coisas inteligíveis? Onde a onda se transforma em palavras? No pensamento.. .
Um pensamento capta uma onda, que ele mesmo criou, e a transforma em uma palavra. Depois vem outro pensamento que cria uma compreensão, diz o que representa aquela palavra. Ou seja, não há palavras: tudo é processo mental, é geração mental...
Sendo assim, você não está me ouvindo, mas tendo a consciência de ouvir algo. Você não está ouvindo, mas recebendo uma ideia de ouvir. Além disso, está recebendo da própria mente a ideia de ter determinada compreensão a partir daquela ideia...
Compreenderam? Não há mundo, não há vida para ser observada... O que existe é uma sucessão de consciências que a mente cria... Por isso anteriormente já tinha dito: quem vive a a vida é a mente e não o observador.. .
O observador não vive vida porque não há vida para ele viver... Isso porque aquilo que vocês chamam de vida são consciências geradas pelo pensamento, ou seja, ideia de existir.
Isso é muito importante de se compreender. Como disse, esse trabalho é longo. Até aqui deixei vocês perguntarem do mundo à vontade, mas não vou mais fazer isso, pois não há mundo para se agir. Não se consegue ser feliz de verdade agindo no mundo, mas sim observando a mente.
Quando passo a observar a mente, o que é compreendido? Quando se observa o pensamento, o que é descoberto? Que nada está acontecendo. .. A única coisa que está acontecendo é um pensamento criando a ideia de estar acontecendo alguma coisa...
Será neste aspecto que iremos fala muito daqui para frente: não há nada acontecendo. .. Portanto, não adianta o observador querer observar acontecimentos. É preciso compreender que o que você chama de acontecimento é apenas uma consciência que a mente está gerando e o observador precisa observar o pensamento, ou seja, saber que aquilo é apenas uma consciência e não uma realidade...
Não sei se vocês se lembram, mas em Krishna estudamos o seguinte ensinamento: a faca não o fere, o fogo não o queima e a chuva não o molha. Porque isso acontece ao homem sábio? Porque ele sabe que não existe se molhar...
A água bate no corpo, ou seja no observado e não no observador. Como o homem sábio sabe que o encontro da água com o corpo é apenas uma consciência gerada pela mente, ele não vive a próxima ideia, ou seja, o sentir-se molhado. Ele não se molha porque, além de saber que sentir-se molhado é uma consciência criada pela mente, sabe que ela é decorrência da consciência de haver um corpo, a água e do encontro das duas coisas...
Por isso, ao invés de viver o 'estar molhado', o homem sábio diz: a mente está molhada e não 'eu'... Mas, isso só é possível porque a ação de molhar também foi interpretada como uma consciência e não como uma realidade, como acontecimento da vida. Se vivesse isso como real, fatalmente este homem se sentiria molhado...
Estar molhado é uma consciência gerada pela mente. Ela é vivida obrigatoriamente como real pelo observador quando ele acredita que existe um corpo, uma água e o contato entre eles...
Por isso o homem sábio não se preocupa em secar-se, em não sentir a água e nem em procurar um guarda-chuva. Ele preocupa-se sim em entender que tudo isso é apenas uma consciência gerada pela mente...
O homem sábio não se preocupa em observar o mundo externo porque ele sabe que este é apenas uma consciência gerada pela mente: a ideia de estar acontecendo aquilo. Quando tem essa compreensão, o homem sábio não se preocupa com o conteúdo do pensamento, mas em libertar-se da consciência gerada por ele...
Esta é a melhor forma de se libertar do prazer e da dor gerado pela mente e alcançar a verdadeira felicidade: saber que tudo o que é chamado de vida é apenas uma consciência gerada pela mente e não uma realidade... Enquanto não se entender que a vida é apenas um processo mental e não físico, estará se compactuando com a mente neste aspecto e libertar-se dos demais é quase impossível... Para estes o sofrimento e o prazer são inexoráveis.
Portanto, daqui para frente vamos bater muito neste aspecto: existe um observador, que não é você; este observador vive apenas pensamentos, ou consciências que o pensamento cria; e é preciso entender que tudo é apenas consciência gerada pelo pensamento.
O observador, portanto, precisa compreender que tudo que existe são apenas consciências geradas pela mente e não coisa reais. A partir disso deve deixar de querer agir na consciência ou naquilo que vocês chamam de realidade...
"A consciência e o agora"
Postado por Kamadon
Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'
Participante: Nada existe fora do agora? Comente, por favor...
O que é o agora? É uma consciência. A mente cria a ideia de existir um agora. Então, não existe nem um agora...
Participante: O agora é um pensamento?
Não. O agora não é um pensamento, mas algo criado através dele... O agora é o fruto de um pensamento, ou seja, o pensamento diz que existe um agora...
Na verdade, você está querendo analisar o pensamento sem separar o joio do trigo: a criação do criado, a observação do observado...
O agora não existe: ele é um fruto do pensamento. O pensamento cria consciências, ou seja, a consciência de existir alguma coisa. Se o agora é algo que existe, ele é uma criação do pensamento. Por isso, não acredite que está acontecendo um agora... Na verdade o que existe é uma consciência, algo que você-observador diz que é real, mas não é...
A consciência é uma imagem gerada pela mente, pois ela é formada por tudo aquilo que é ouvido, cheirado, provado o saber, visto ou tocado pelas mãos. Se tudo isso compõe um agora, ele é apenas uma consciência.
Por exemplo: você é consciente de que existem espíritos desencarnados aqui neste momento? Não, pois a sua mente não criou a presença deles aqui. Mas, se ela criasse essa imagem, ela não seria o espírito, mas figuras criadas pela mente.
Mas, como a mente cria as figuras? Pelo pensamento. Na verdade o pensamento não cria uma figura, mas a ideia de existir uma. Essa 'ideia de existir' é o que estou chamando de consciência.
A consciência não é o pensamento, mas uma criação dele. Consciência é o que você-mente vê, cheira, prova o sabor e ouve. Na verdade nem o observador nem a mente ouvem. O que existe é a ideia de estar ouvindo algo. Nem a mente ou o observador ouvem palavras: o que existe é a ideia de estar ouvindo palavras...
Portanto saiba disso: a consciência não é o pensamento, mas o fruto dele, criado por ele.
Participante: É uma conclusão?
Não, é criação...
Deixe-me explicar. Um filme que é projetado precisa do que? De algo que o projete... Este projetor é o criador da imagem, ele é o pensamento. Ele cria a ideia do filme está existindo na tela, quando o que há na verdade é luz. Todo filme é luz projetada...
Olhe para o seu braço. O que há nele?
Participante: Um relógio...
Não, não há aí um relógio. O relógio é uma consciência, ou seja, uma ideia de existir um relógio... Se isso não houvesse sido feito, jamais haveria um relógio aí para você...
Participante: O pensamento antecede à consciência?
Que dúvida, não: antes ou depois? Por acaso existe tempo para saber se é antes ou depois? No filme o que passa primeiro: a luz ou o fotograma? Pouco importa isso, não? A coisa acontece tão rapidamente que para você não tem como mensurar o que vem antes ou depois...
Não se preocupe em entender isso. O que você precisa entender é que esse relógio que está aí não existe: o que existe é uma ideia dele existir... Se você achar que o relógio existe, vai querer interagir com ele. Se souber que ele não existe, pode agir no pensamento que o cria. Como? Dizendo: 'Este relógio é apenas uma consciência que a mente está gerando'... Só isso...
Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'
Participante: Nada existe fora do agora? Comente, por favor...
O que é o agora? É uma consciência. A mente cria a ideia de existir um agora. Então, não existe nem um agora...
Participante: O agora é um pensamento?
Não. O agora não é um pensamento, mas algo criado através dele... O agora é o fruto de um pensamento, ou seja, o pensamento diz que existe um agora...
Na verdade, você está querendo analisar o pensamento sem separar o joio do trigo: a criação do criado, a observação do observado...
O agora não existe: ele é um fruto do pensamento. O pensamento cria consciências, ou seja, a consciência de existir alguma coisa. Se o agora é algo que existe, ele é uma criação do pensamento. Por isso, não acredite que está acontecendo um agora... Na verdade o que existe é uma consciência, algo que você-observador diz que é real, mas não é...
A consciência é uma imagem gerada pela mente, pois ela é formada por tudo aquilo que é ouvido, cheirado, provado o saber, visto ou tocado pelas mãos. Se tudo isso compõe um agora, ele é apenas uma consciência.
Por exemplo: você é consciente de que existem espíritos desencarnados aqui neste momento? Não, pois a sua mente não criou a presença deles aqui. Mas, se ela criasse essa imagem, ela não seria o espírito, mas figuras criadas pela mente.
Mas, como a mente cria as figuras? Pelo pensamento. Na verdade o pensamento não cria uma figura, mas a ideia de existir uma. Essa 'ideia de existir' é o que estou chamando de consciência.
A consciência não é o pensamento, mas uma criação dele. Consciência é o que você-mente vê, cheira, prova o sabor e ouve. Na verdade nem o observador nem a mente ouvem. O que existe é a ideia de estar ouvindo algo. Nem a mente ou o observador ouvem palavras: o que existe é a ideia de estar ouvindo palavras...
Portanto saiba disso: a consciência não é o pensamento, mas o fruto dele, criado por ele.
Participante: É uma conclusão?
Não, é criação...
Deixe-me explicar. Um filme que é projetado precisa do que? De algo que o projete... Este projetor é o criador da imagem, ele é o pensamento. Ele cria a ideia do filme está existindo na tela, quando o que há na verdade é luz. Todo filme é luz projetada...
Olhe para o seu braço. O que há nele?
Participante: Um relógio...
Não, não há aí um relógio. O relógio é uma consciência, ou seja, uma ideia de existir um relógio... Se isso não houvesse sido feito, jamais haveria um relógio aí para você...
Participante: O pensamento antecede à consciência?
Que dúvida, não: antes ou depois? Por acaso existe tempo para saber se é antes ou depois? No filme o que passa primeiro: a luz ou o fotograma? Pouco importa isso, não? A coisa acontece tão rapidamente que para você não tem como mensurar o que vem antes ou depois...
Não se preocupe em entender isso. O que você precisa entender é que esse relógio que está aí não existe: o que existe é uma ideia dele existir... Se você achar que o relógio existe, vai querer interagir com ele. Se souber que ele não existe, pode agir no pensamento que o cria. Como? Dizendo: 'Este relógio é apenas uma consciência que a mente está gerando'... Só isso...
Assinar:
Postagens (Atom)