domingo, 20 de junho de 2010

Pensamento - Príncipes e princesas de Deus

Postado por Kamadon

"Não sejam tão indiferentes e negligentes em relação aos seres que os
rodeiam. Aprendam a considerá-los com um sentimento sagrado e, por trás da
sua aparência, por trás da forma do seu corpo ou do seu rosto, vocês
descobrirão a sua alma e o seu espírito, que são filha e filho de Deus. Se
souberem se deter na sua alma e no seu espírito, todas as criaturas que
vocês negligenciaram e desprezaram parecerão extremamente preciosas. O
próprio Ceu, que as enviou à Terra sob esse revestimento, as considera como
tesouros, como receptáculos da Divindade.
Então, de todas as pessoas que encontrarem, não se detenham no aspecto
físico, no patrimônio, na situação, na instrução, mas vejam a alma e o
espírito. Pensem que mesmo aqueles que rodam por aí como mendigos ou
vagabundos, são príncipes e princesas aos olhos de Deus que os criou."

"O mais velho"

Postado por Kamadon

http://www.youtube. com/watch? v=Ij9Bz7cGnpk
.
o velho é o dono do tempo
não pára nunca de andar
e todo o peso do mundo
carrega em seu xaxará


a volta do mundo é grande
pra quem nem bem começou
a gente faz o caminho
que o velho já caminhou


quem tem ajuda do velho
já vira caminhador
que mais de vez rodou o mundo
e mais de vez já voltou


(refrão)


tem moradia do velho
que um passarinho me contou
nos quatro cantos do mundo
por onde o velho já andou


passei na casa de palha
onde ele é morador
pedi a menção do velho
e o velho me abençoou


(refrão)


não vi a cara do velho
porque ele nunca mostrou
mas todo mundo é seu filho
que neste mundo passou


conhece o chão pelo avesso
de vida e morte ao senhor
poder maior do que o velho
somente o do criador

terça-feira, 8 de junho de 2010

"OS MAIORES INIMIGOS"

Postado por Kamadon

Certa feita, Simão Pedro perguntou a Jesus:
- Senhor, como saberei onde vivem nossos maiores inimigos? Quero combatê-los, a fim de trabalhar com eficiência pelo Reino de Deus.

Iam os dois de caminho entre Cafarnaum e Magdala, ao sol rutilante de perfumada manhã.
O Mestre ouviu e mergulhou-se em longa meditação.

Insistindo, porém, o discípulo, ele respondeu benevolamente:
- A experiência tudo revela no momento preciso.
- Oh! – exclamou Simão, impaciente – a experiência demora muitíssimo.

O Amigo Divino esclareceu, imperturbável:
- Para os que possuem “olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”, uma hora, às vezes, basta ao aprendizado de inesquecíveis lições.

Pedro calou-se, desencantado.

Antes que pudesse retornar às interrogações, notou que alguém se esgueirava por trás de velhas figueiras, erguidas à margem. O apóstolo empalideceu e obrigou o Mestre a interromper a marcha, declarando que o desconhecido era um fariseu que procurava assassiná-lo. Com palavras ásperas desafiou o viajante anônimo a afastar-se, ameaçando-o, sob forte irritação. E quando tentava agarrá-lo, à viva força, diamantina risada se fez ouvir. A suposição era injusta. Ao invés de um fariseu, foi André, o próprio irmão dele, quem surgiu sorridente, associando-se à pequena caravana.

Jesus endereçou expressivo gesto a Simão e obtemperou:
- Pedro, nunca te esqueças de que o medo é um adversário terrível.

Recomposto o grupo, não haviam avançado muito, quando avistaram um levita que recitava passagens da Tora e lhes dirigiu a palavra, menos respeitoso.
Simão inchou-se de cólera. Reagiu e discutiu, longe das noções de tolerância fraterna, até que o interlocutor fugiu, amedrontado.

O Mestre, até então silencioso, fixou no aprendiz os olhos muito lúcidos e inquiriu:
- Pedro, qual é a primeira obrigação do homem que se candidata ao Reino Celeste?

A resposta veio clara e breve:
- Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

- Terás observado a regra sublime, neste conflito? – continuou o Cristo, serenamente – recorda que, antes de tudo, é indispensável nosso auxílio ao que ignora o verdadeiro bem e não olvides que a cólera é um perseguidor cruel.

Mais alguns passos e encontraram Teofrasto, judeu grego dado à venda de perfumes, que informou sobre certo Zeconias, leproso curado pelo profeta nazareno e que fugira para Jerusalém, onde acusava o Messias com falsas alegações.

O pescador não se conteve. Gritou que Zeconias era um ingrato, relacionou os benefícios que Jesus lhe prestara e internou-se em longos e amargosos comentários, amaldiçoando- lhe o nome.

Terminando, o Cristo indagou-lhe:
- Pedro, quantas vezes perdoarás a teu irmão?
- Até setenta vezes sete – replicou o apóstolo, humilde.

O Amigo Celeste contemplou-o, calmo, e rematou:
- A dureza é um carrasco da alma.

Não atravessaram grande distância e cruzaram com Rufo Grácus, velho romano semiparalítico, que lhes sorriu, desdenhoso, do alto da liteira sustentada pelos escravos fortes.

Marcando-lhe o gesto sarcástico, Simão falou sem rebuços:
- Desejaria curar aquele pecador impenitente, a fim de dobrar-lhe o coração para Deus.

Jesus, porém, afagou-lhe o ombro e ajuntou:
- Por que instituiríamos a violência no mundo, se o próprio Pai nunca se impôs a ninguém?
E, ante o companheiro desapontado, concluiu:
- A vaidade é um verdugo sutil.

Daí a minutos, para repasto ligeiro, chegavam à hospedaria modesta de Aminadab, um seguidor das idéias novas.

À mesa, um certo Zadias, liberto de Cesárea, se pôs a comentar os acontecimentos políticos da época. Indicou os erros e desmandos da Corte Imperial, ao que Simão correspondeu, colaborando na poda verbalística. Dignitários e filósofos, administradores e artistas de além-mar sofreram apontamentos ferinos. Tibério foi invocado com impiedosas recriminações.

Finda a animada palestra, Jesus perguntou ao discípulo se acaso estivera alguma vez em Roma.
O esclarecimento veio depressa:
- Nunca.

O Cristo sorriu e observou:
- Falaste com tamanha desenvoltura sobre o Imperador que me pareceu estar diante de alguém que com ele houvesse privado intimamente.

Em seguida, acrescentou:
- Estejamos convictos de que a maledicência é algoz terrível.
O pescador de Cafarnaum silenciou, desconcertado.

O Mestre contemplou a paisagem exterior, fitando a posição do astro do dia, como a consultar o tempo, e, voltando-se para o companheiro invigilante, acentuou, bondoso:
- Pedro, há precisamente uma hora procurava situar o domicilio de nossos maiores adversários. De então para cá, cinco apareceram, entre nós: o medo, a cólera, a dureza, a vaidade e a maledicência. .. Como reconheces, nossos piores inimigos moram em nosso próprio coração.

E, sorrindo, finalizou:
- Dentro de nós mesmos, será travada a guerra maior.


(Obra: Luz Acima - Chico Xavier/Irmão X)

"PARÁBOLA SOBRE O BAMBU"


Postado por Kamadon

Num lugar distante, havia um lindo bambuzal. O vento soprava sereno e a brisa mansa permitia que o bambuzal se movimentasse desordenadamente de um lado para o outro, servindo para refrescar todo ambiente e movimentar com todas energias que estavam paradas.



E como todo bambuzal tem um dono, esse não era diferente: o dono desse bambuzal nesse dia coincidentemente chegou junto com o vento.


Qual foi a surpresa do bambuzal em ver o seu dono, todos naquele instante ficaram cheios de alegria e destemor, pois aquele que cuidava com tanto carinho deles chegava com seu sorriso para olhar sua estimada plantação. Porém havia no mesmo lugar ao lado um campo ermo, de difícil plantação, terra ressequida pertencente ao mesmo dono.


No bambuzal existia um bambu que era muito bonito, vivaz e sobressaia dos outros. Existia nele uma especial diferença sobre os outros bambus. Mas tudo era natural nele e, sua dedicação ao dono, o tornava cada vez mais diferente e bonito.E muitas vezes incomodava os outros bambus.


A felicidade desse bambu era ver seu dono chegando e contemplando- o com entusiasmo.


Porém, num certo dia de ventania, foi surpreendido por seu dono tão querido numa proposta que há muito tempo esperava. Era chegada a hora do bambu servir e com a mesma dedicação que tinha desde o seu nascimento. O dono do bambu chegou lá pelas 5 horas da tarde, olhou seu bambu amado, acariciou-o e lhe disse:


“BAMBU AMADO, CHEGOU O SEU TEMPO DE ME SERVIR E, ESTE É O MOMENTO.”


O bambu ficou entusiasmadíssimo com tal proposta e na intensidade que amava o dono, apressou-se em dizer:


“SIM AMADO DONO, SE A HORA É CHEGADA. EU ESTOU AQUI!”


O dono sabia desse "sim" e, logo amou mais ainda o bambu. Contudo, o dono do bambu teve que lhe falar sobre esse serviço especial e continuou dizendo:


“MAS PARA QUE ME SIRVA, BAMBU AMADO, TENHO QUE LHE TIRAR DO LUGAR EM QUE VOCÊ ESTÁ!”


O bambu estranhou pois sabia que isso iria prejudicá-lo muito, mas no mesmo instante disse ao dono:


"SABE DAS COISAS MEU DONO, E SABE DE MIM, ME ALEGRO E FAÇA COM QUE EU LHE SIRVA BEM!"


O dono mais alegre ainda continuou:


'BAMBU AMADO, NÃO BASTA QUE TE ARRANQUE DE SEU LUGAR MAS VOU PRECISAR CORTÁ-LO COM UM FACÃO PARA PARTÍ-LO AO MEIO!'


Surpreso, o bambu tentou entender a proposta e começou entristecer, pois sua beleza, seu encanto, sua firmeza, seu apoio, tudo seria tirado e, sua natureza de bambu não existiria mais. Porem, triste e sem entender encheu-se de alegria já comprometida, porém pensando na satisfação que seu dono teria com mais um SIM e não pensou e disse:


"SE ASSIM É QUE PRECISAS DE MIM QUE EU POSSA LHE ALEGRAR, EIS-ME AQUI. PRONTO!"


O dono sabia disso e, percebia que o bambu não estava tão alegre quanto o inicio da conversa mas, sabia da fidelidade do amado bambu. Não obstante, o dono lhe disse sem muitas palavras:


'AMADO BAMBU, MESMO QUE ME SIRVA AINDA PRECISO DIZER: NÃO LHE BASTA QUE O ARRANQUE E O CORTE COM UM FACÃO, É PRECISO QUE EU O SEQUE E DESCARACTERIZE TEUS JEITOS DE BAMBU, TUA BELEZA E MESMO TODA TUA ALEGRIA!'


O bambu, no silencio entristecido, derramava uma lágrima de dor profunda e de desentendimento. Já não sabia mais o porque disso tudo nem o porque de seu dono lhe queria assim. O maior sofrimento do bambu era por não entender esse amor que criou, permitiu que fosse o mais lindo e vistoso e de uma hora pra outra lhe pedia a própria morte.
Qual foi sua surpresa antes de responder ao dono, o mesmo indagou:


'MAS AMADO BAMBU, MESMO DEPOIS DISSO TUDO VOU PRECISAR TIRA-TE A VIDA E NUNCA MAIS SERÁS UM BAMBU!'


Foi nesse instante que o bambu simplesmente parou e não disse uma só palavra. Silenciou. Mas seu dono continuou:


"CONTUDO, BAMBU AMADO, VOU ARRANCAR-LHE O CORAÇÃO E TUDO O QUE NELE TEM, GUARDAREI ETERNAMENTE COMIGO E NUNCA ELE ME SERÁ ROUBADO. DE TUA CASCA TIRAREI O MELHOR: TEU CORAÇÃO...TEU TESOURO...TUA VIDA...SERÁS MAIS MEU DO QUE NESSA CONDIÇÃO DE BAMBU!"


Foi aí que o pobre bambu não entendeu os motivos do dono, mas o tipo de Amor que seu dono tinho por ele. Eles se amavam, e, sustentado por esse desentendimento que compreende todas as coisas, o bambu se voltou em prantos mas com um suave e sereno e lhe disse bem baixo mas convictamente:


'EU COMPREENDO QUE ME ENTENDES. E TANTO QUE ME ROUBAS O MELHOR! SOU TEU PRISIONEIRO E FAZ DE MIM O QUE PRECISAS!'


Foi aí que o dono consumou seus desejos: Arrancou o bambu, cortou-lhe ao meio com um facão, secou-o e descaracterizou- o e já sem vida nenhuma física lhe tirou o coração e guardou-o consigo para que nunca mais fosse roubado!

E o que era um vistoso e lindo bambu se tornava dois simples pedaços de coisa ressecada .Contudo, aquele nada se tornava o veículo de água para que se levasse umidade a muitas plantações da rica fazenda e, assim o saudoso bambu que era o bem mais precioso o dono tinha, teve grande utilidade para seu dono.


Acredito que o dono também chorava nesse instante até de saudade do bambu mas tinha seu coração guardado e isso bastava ao dono!


Queridos blogueiros, respire fundo pois este conto é comovente e, tenho certeza que o coração de cada um foi sensivelmente tocado... Agora, basta ouvir os lindos sons cordiais, que verberam noutras plagas, o caminho da lenda pessoal.


Me faz pensar numa pergunta:


- Será que estou preparada para ser esse bambu?


A história desse bambu é a historia de vocação de cada um de nós. Iremos ser podados, cortados, poderá ser muito dolorido, poderá ter sofrimentos, mas nosso coração será preservado. E num lugar seguro e muito especial, o nosso coração será tocado pela Luz Divina para que realizemos aquilo que nascemos para realizar, satisfazendo a vontade de Deus. E por esta razão devemos silenciar o coração para ouví-lo com amor. E humildemente dizer "SIM".

Publicado no Blog Sem Fronteiras

Paz Profunda

"Pensamento do dia 08 de junho"

Postado por Kamadon

Complexidade do ser humano

"O ser humano não se limita ao seu corpo físico: graças aos seus corpos
sutis, ele está ligado a todo o cosmos. Ele vive e vibra com a Alma
Universal, com todas as gerações do passado mais longínquo, está em contato
com o mundo das ideias, dos arquétipos, das leis, das forças e das verdades,
e esse mundo pode se refletir nele sob a forma de imagens, de símbolos.
Quando vocês meditam sobre uma verdade muito elevada que pertence ao plano
causal, ela pode provocar uma reação nas profundezas do seu ser, e nesse
ponto uma forma surge na sua consciência: a de um ser, de um objeto ou de
uma figura geométrica. É desse modo que se explicam os sonhos premonitórios
e as visões proféticas. Se coubesse a vocês encontrar a correspondência
exata, não seriam capazes disso, pois existem milhares de formas simbólicas.
Só a Natureza conhece a afinidade entre as coisas, e apresenta à sua mente
uma imagem que corresponde absolutamente ao assunto sobre o qual estão
concentrados."

"O que a China deve fazer ante o avanço da esquerda "

Postado por Attman e Kamadon

Por Zhang Jiazhe, no Diario do Povo on line

Desde o fim do século passado até a data atual, 12 partidos de esquerda da América Latina venceram as eleições e assumiram o poder. Esta conjuntura tem sido uma fonte de alegria para muito chineses, que viram, na chegada da esquerda nesta região geográfica, o último prego no caixão do "Consenso de Washington" e do neoliberalismo, após ambos terem sido condenados pelos povos latino-americanos em meio ao recente fervor esquerdista.

No entanto, nos últimos anos, não faltaram países latino-americanos governados pela esquerda que têm levantado a bandeira do garrote "anti-dumping" contra a China, disferindo duros golpes às exportações do país asiático até esta zona. Isso ocorreu inclusive naquelas nações que reconheceram a condição da China como uma economia de mercado.

Por outro lado, esses países continuam a manter relações estreitas com os Estados Unidos, cujas posições no tema dos direitos humanos têm sido respaldadas através de voto nas instâncias internacionais. Alguns mantiveram preços elevados para a aquisição de minério de ferro. Ante esta situação, os chineses ficamos perplexos, imaginando o que acontece com esses países.

Tendo em conta os altos e baixos que América Latina tem sofrido durante um período razoavelmente longo de sua história, parece razoável concluir que a atual emergência da esquerda naquela área nada mais é que uma nova oscilação no pêndulo do relógio histórico até a esquerda, e que as muitas variações que têm caracterizado este pêndulo são circusntanciais à área, em sua transição de regimes ditatoriais aos democráticos; das juntas militares às administrações civis; dos períodos de privatizações às campanhas de nacionalização; do protecionismo à abertura; dos governos de esquerda aos de direita; ou do "socialismo" (ao estilo latino-americano) ao capitalismo.

Nos 200 anos transcorridos desde que a maioria destes países declararam a sua independência da Espanha e Portugal, a região se viu oscilando entre extremos. É por isso que não é aconselhável alimentar muitas esperanças pelo atual rumo dos acontecimentos, nem colocar muito alta a barra das expectativas. Naturalmente, a China deve aproveitar a oportunidade em tudo o que lhe for conveniente.

Entre os 12 países sob a liderança da esquerda, há um grupo que pode ser considerado "radical" (Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua, em certa medida, que formaram uma "aliança contra os EUA") e outro de "moderados". Estes últimos não têm diferenças essenciais com os não-esquerdistas, pois tendem mais para o nacionalismo e o populismo com peculiaridades latino-americanas, e inclusive evidenciam certas posturas do socialismo cristão. A esses países se deve render um tratamento igual ao dado aos não-esquerdistas, partindo de iguais princípios diplomáticos e leis econômicas. Não há necessidade de diferenciá-los atendendo a suas tons ideológicos.

O autor deste artigo acredita que se pode persistir no princípio de "separar a política da economia", ao tratar com os países de esquerda "radicais". No terreno econômico, a China pode desenvolver os intercâmbios econômicos e comerciais sobre a base da igualdade e o benefício mútuo com estes países. Inclusive se pode passar por alto a habitual ojeriza estadunidense quando nota que outros fomentam atividades econômicas nos países da zona. Não se deve esquecer que, no passado, os EUA recorreram a táticas semelhantes para competir primeiro e, depois, expulsar do jogo uma Europa empobrecida.

Ao abordar os problemas políticos (incluindo o tema militar), a China deve começar a levar em conta suas relações com os EUA e suas ligações com a América Latina, ou seja, não porque prejudicar uns e desafiar outros. Na hora de desenhar sua diplomacia para a América Latina, a premissa da China deve, em todos os momentos, pensar com a cabeça fria.

"É outubro em Pequim: o primeiro aniversário da Revolução Chinesa"

Postado por Attman e Kamadon

Mencius, discípulo de Confúcio e que nasceu no ano 390 antes da nossa era, escreveu: "Em primeiro lugar, está o povo; em seguida, o país. O rei é o de menos...". Pois ali estávamos nós — 72 delegações de convidados vindos de todas as partes do mundo — para vermos passar, no 1º de outubro de 1960, o grande desfile comemorativo do 11º aniversário da República Popular da Nova China.

Por Lygia Fagundes Telles, na Folha de S.Paulo
A manhã é azul. Bandeiras vermelhas com as cinco estrelas estão desfraldadas ao vento.
Estandartes também vermelhos, com os caracteres chineses, em dourado desdobram-se nos pontos mais altos da vasta praça do Povo, defronte da famosa Porta da Paz Celestial e onde estão os balcões dos convidados.

Entre o Museu Nacional e a Assembleia, defronte de nós, gigantescos retratos de Karl Marx, Friedrich Engels, Lênin e Mao Tse-tung.

É belo de se ver a variedade incrível dos trajes dos representantes de cada país; os altos africanos, com ares assim de reis negros, ostentam túnicas e adornos singulares, contrastando na sua simplicidade com os trajes asiáticos e que em geral são suntuosos, cheios de pedrarias e dourados e tudo isso de mistura com os trajes chineses — as discretas fardas de brim azul-, que por sua vez contrastam com as nossas roupas europeias. Ouvem-se em redor as mais variadas línguas. O quadro é de um colorido vivo e raro.

Uma chinesinha debruça-se num balcão ao meu lado. Observo-a. E concluo, nesse instante, que sem dúvida alguma os chineses são bonitos, assim altos e esguios. Têm a gesticulação elegante. Pernas longas. E grandes olhos seguindo aquela linha oblíqua.

Volto minha máquina fotográfica na direção da jovem. Ela inclina a cabeça para o lado, segura delicadamente a ponta da trancinha negra e sorri um tímido sorriso fresco e claro como a manhã outonal. Diz-me, em seguida, um "merci".

Aproximo-me animada: a ponte da língua estabeleceu-se entre nós. Ocorre-me fazer-lhe perguntas simples, bem femininas. Ainda não vi nenhuma chinesa pintada, digo-lhe. Nem as jovens nem as mulheres maduras usam batom ou mesmo pó de arroz. Eis que a mulher na China abriu mão das mais elementares vaidades. Nem brincos, nem anéis, nem unhas esmaltadas...

Ela ficou séria. "O nosso povo acaba de sair de uma fase terrível e que durou dezenas e dezenas de anos", respondeu-me ela. "Não podemos nos preocupar com ninharias quando ainda há coisas tão importantes a serem cuidadas. Principalmente nós, as mulheres, nunca tivemos sequer o essencial. Então não podemos agora nos dar ao luxo de pensar no acessório, no supérfluo. Temos que trabalhar. O resto fica para depois."

Não pude deixar de sorrir. Ah! Como a jovem era parecida com o Mister Wang, nosso intérprete, de topetinho no cocuruto e fronte pensativa, a expressão tão carregada de responsabilidades! Como eram graves e compenetrados os jovens da China! Lembrei-me de uma peruana ou colombiana, que após algumas semanas de permanência em Pequim, teria se queixado certa noite ao nosso teatrólogo Guilherme Figueiredo: "Sí, sí, todo es muy bueno... ¡Pero, caramba! ¡Es preciso un poco de corrupción!...".

Desatei a rir enquanto a chinesinha, sem saber por que, riu também. Tive então vontade de dizer-lhe que aprimorar a beleza do rosto era também uma causa importante. Mas pensei: para quê? Afinal, ela era tão bonita assim mesmo com a carinha lavada, singela! Pensei nas nossas brasileirinhas adolescentes e já com os olhos bistrados.

Eis aí uma jovem, edição chinesa da nossa "Inocência", de Taunay. Ela quis saber quem era "Inocência" e expliquei-lhe então que era a heroína de um romance e que nunca houve na nossa literatura uma personagem mais doce, mais delicada, mais pura.

Sons festivos de uma marcha romperam dos alto-falantes. Palmas, vivas da multidão acenando bandeirinhas: o presidente Mao Tse-tung acabara de aparecer no palanque oficial.

Começou o desfile, um desfile sem militares, sem soldados ou armas, mas apenas com colegiais e jovens, dezenas e dezenas de jovens levando bandeiras, arcos floridos, lanternas, balões, estandartes. Enfim, um mar de flores e sedas vindo em ondas a transbordar na praça.

Jamais meus olhos viram desfile igual, verdadeira demonstração do mais alto senso estético de um povo que há cinco mil anos cultiva a beleza.