quarta-feira, 19 de maio de 2010

"Mensagem do Espírito da Verdade"

Postado por Kamadon

"O VAZIO CRIADOR"

Amados seres,

Escutem! Despertem sem medo porque vocês já me conhecem. Eu sou apenas um reflexo do ser ou a consciência de vocês ampliada. Portanto, não há o que temer.
Eras e eras se escoaram até que a escuridão se dissipasse, para que finalmente presenciássemos o alvorecer dourado, onde todos irão se reconhecer como filhos da Luz!
Venho lhes falar de um tempo novo, o que chamam de nova era. Na verdade, não é algo novo que vai acontecer, mas o despertar completo, amadurecido de todos aqueles que já vinham se preparando há tanto tempo para essa jornada...

Houve um longo processo para que chegassem até aqui. No plano divino, amorosamente trabalhamos e aguardamos o momento em que estivessem em condições de se revelarem. Vocês já não precisam agir como crianças, por isso a verdade está pulsando mais forte em suas consciências, porque agora têm capacidade de assimilar o que é essencial em suas vidas e de fazerem suas escolhas. Os véus do esquecimento tendem a se rasgarem, à medida que forem revelando suas verdadeiras identidades. E vocês verão o quão maravilhosos são!

O que demonstraram até aqui, foram apenas algumas partes de vocês sendo aprimoradas, porque esse é um dos objetivos desse longo aprendizado. Deixar vir à tona o que está incompleto, mal acabado para ser lapidado, purificado, recriado.
Por esta razão é extremamente importante que sejam honestos com vocês mesmos, abram seus corações e façam uma varredura de tudo o que precisa ser mudado. Vamos, coragem!
Eu sei que vocês temem encontrar o vazio. Mas não temam! Essa terrível ausência de alguma coisa é o prenúncio do grande encontro com o Ser Total. Na verdade, são suas consciências se expandindo, abrindo espaço para percepções mais elevadas. Necessitando mudar de dimensão para que possam se ampliar, aumentar suas auras, desdobrar seus vários seres e abrirem-se para o Universo...

Então, esqueçam este temor infantil e se permitam ir além do ponto em que chegaram. Vocês terão uma maravilhosa surpresa! Perceberão uma realidade nunca vista, talvez ingenuamente imaginada, onde sentirão uma jubilosa alegria transbordando em seus corações, reativando seus centros de força, potencializando suas energias, transformando tudo o que está estagnado em luz, amor e paz.

Vocês comprovarão aquilo que já sabiam, mas nunca tinham experimentado. Lembrarão do que lhes foi ensinado sobre a “Entrega aos braços do Pai” e compreenderão o grande amor que estava reservado todo esse tempo a vocês e que agora pode fluir naturalmente porque não devem haver mais barreiras. Sempre que necessitarem, podem fazer essa viagem interior, consultarem seus corações, ampliarem de novo suas consciências e atingirem a quietude universal...

Essa prática deve ser uma constante na vida de vocês e à medida que forem se familiarizando com esse encontro com o vazio, mais e mais irão perceber que estão se tornando um canal, um instrumento de recepção de conhecimentos mais elevados. A tendência é se deslumbrarem e ficarem como que extasiados diante da magia expressada. Mas não parem por aí, sigam em frente nessa busca reveladora, o desenvolvimento de vocês continua porque faz parte do ciclo evolutivo do ser.

As suas energias irão sendo permutadas por outras cada vez mais sutis e vocês atingirão outros níveis de percepção que os manterão sempre despertos nessa caminhada e descobrirão, enfim, que atingiram a plenitude da vida.
Isso é o resgate do paraíso que estava escondido dentro de vocês! Cultivem-no e ofereçam flores luminosas a seus semelhantes. Quando menos esperarem, estarão emitindo as mais puras luzes, irradiando-as por todo o universo... Então, experimentarã o a sublime presença dos anjos, e sentirão um amor incondicional pela vida! Verão que existe em seus corações um Centro de Consciência de onde vocês poderão enxergar o mundo inteiro!

“Procurai ver o mundo com mais amor. Ao vibrar amor, suas vibrações ficarão tão perto de vós, tão dentro de vós, que se transformarão em amor para vós mesmos. Procurai mentalizar a Harmonia e esta harmonia cada vez mais ficará gravada em vossa mente espiritual. Procurai vibrar e irradiar o Perdão e estas vibrações retornarão ao vosso ser e também sereis perdoados. Vibrai mais longe, com mais vontade e de tanto vibrar elevação e pureza, transformar- vos-eis em pequenas luzes que, unidas, iluminarão o caminho de muitos e os vossos próprios caminhos.”

(Do livro Gotas de Amor – Psicografia de Maria de Nazaré – 18/07/1974)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

"A esquerda no século XXI."

Postado por Attman e Kamadon

Artigo de Slavoj Zizek



"Uma nova classe global está assim surgindo, "com, digamos, um passaporte indiano, um castelo na Escócia, um 'pied-à-terre' em Manhattan e uma ilha caribenha privada", escreve Slavoj Zizek. Segundo ele, "São Paulo, no Brasil de Lula, que hospeda 250 heliportos na área do centro da sua cidade" é um exemplo dos "cidadãos globais" que vivem em áreas isoladas.

"Para se isolar do perigo de se misturar com as pessoas comuns, - escreve Zizek -, o rico de São Paulo prefere usar os helicópteros, pois então, olhando o horizonte da cidade, sente-se verdadeiramente como se se encontrasse em uma megalópole futurista do gênero descrito em filmes como "Blade Runner" ou "O quinto elemento", com pessoas comuns que se aglomeram em ruas perigosas embaixo, enquanto o rico passeia em um nível mais alto, no ar".

Publicamos aqui um trecho do novo livro do filósofo esloveno Slavoj Zizek, "Dalla tragedia alla farsa. Ideologia della crisi e superamento del capitalismo" [Da tragédia à farsa. Ideologia da crise e superação do capitalismo], publicado na Itália pela editora Ponte alle Grazie. O texto foi publicado no jornal La Repubblica, 25-03-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Doze anos antes do 11 de setembro, no dia 09 de novembro de 1989, caiu o Muro de Berlim. Esse evento parece ter anunciado o início dos "felizes anos 90", a utopia de Francis Fukuyama do "fim da história", a fé de que a democracia liberal venceria em linha de princípio, que o advento de uma comunidade liberal global estaria esperando logo depois da esquina, e que o obstáculo a esse feliz fim hollywoodiano seria meramente empírico e contingente (bolsões locais de resistência, cujos líderes ainda não teriam compreendido que o seu tempo havia acabado). O 11 de setembro, ao invés, simbolizou o fim do período clintoniano e iniciou uma era em que novos muros parecem surgir em todos os lugares: entre Israel e a Cisjordânia, ao longo da fronteira mexicana, mas também dentro dos próprios Estados-nação.

Em um artigo da Newsweek, Emily Flynn Vencat e Ginanne Brownell se referem a como hoje "o fenômeno do 'members-only' [apenas para membros] está se expandindo em um inteiro estilo de vida, incluindo tudo, desde as coalizões bancárias privadas até as clínicas de saúde apenas para convidados (...), aqueles que tem dinheiro estão crescentemente fechando toda a sua vida atrás de portas fechadas. Em vez de participar de grandes eventos midiáticos, eles organizam shows, desfiles de moda e exibições de arte em suas próprias casas. Vão fazer compras fora de horário e controlam rigorosamente a classe e a renda dos seus vizinhos (e potenciais amigos)".

Uma nova classe global está assim surgindo, "com, digamos, um passaporte indiano, um castelo na Escócia, um 'pied-à-terre' em Manhattan e uma ilha caribenha privada". O paradoxo é que os membros dessa classe global "jantam privadamente, fazem compras privadamente, veem arte privadamente, tudo é privado, privado, privado". Estão criando um ambiente vital próprio para resolver seu dilema hermenêutico angustiante. Como afirma Todd Millay: as famílias ricas não podem simplesmente "convidar pessoas e esperar que elas entendam o que é ter 300 milhões de dólares".

Então, quais são os seus contatos com o mundo externo? São de dois tipos: negócios e beneficência (proteção ao meio ambiente, luta contra as doenças, mecenatismo etc.). Esses cidadãos globais vivem a sua vida acima de tudo na natureza incontaminada – fazendo trekking na Patagônia ou nadando nas águas transparentes das suas ilhas privadas. Não podemos deixar de notar que uma das características de fundo da atitude desses ultrarricos que vivem nas suas torres de marfim é o medo: medo da vida social externa em si. A maior prioridade dos "ultrahigh-net-worth individuals" é, portanto, minimizar os riscos de segurança – doenças, exposição às ameaças de crimes violentos e assim por diante.

Na China contemporânea, o novo rico construiu para si comunidades isoladas modeladas à imagem idealizada das "típicas" cidades ocidentais. Perto de Xangai, por exemplo, existe uma réplica "real" de uma pequena cidadezinha inglesa, incluindo uma rua principal com um pub, uma igreja anglicana, um supermercado Sainsbury etc.: toda a área está isolada daquilo que a circunda por uma cúpula invisível, mas não menos real.

Não existe mais uma hierarquia entre grupos sociais que vivem na mesma nação, aqueles que residem nesta cidade vivem em um universo no qual, dentro do seu imaginário ideológico, o mundo ao redor de "classe inferior" simplesmente não existe. Esses "cidadãos globais" que vivem em áreas isoladas não representam talvez o verdadeiro polo oposto daqueles que vivem nas favelas e das outras "manchas brancas" da esfera pública? Com efeito, eles representam as duas faces da mesma moeda, os dois extremos da nova divisão de classe.

A cidade que melhor encarna essa divisão é São Paulo, no Brasil de Lula, que hospeda 250 heliportos na área do centro da sua cidade. Para se isolar do perigo de se misturar com as pessoas comuns, o rico de São Paulo prefere usar os helicópteros, pois então, olhando o horizonte da cidade, sente-se verdadeiramente como se se encontrasse em uma megalópole futurista do gênero descrito em filmes como "Blade Runner" ou "O quinto elemento", com pessoas comuns que se aglomeram em ruas perigosas embaixo, enquanto o rico passeia em um nível mais alto, no ar.

Parece assim que a utopia dos anos 90 de Fukuyama deveria morrer duas vezes, a partir do momento em que a queda da utopia política liberal-democrática do 11 de setembro não atingiu a utopia econômica do mercado capitalista global. Se o colapso financeiro de 2008 tem um significado histórico, então, é como sinal do fim da face econômica do sonho de Fukuyama. O que nos reporta à paráfrase marxiana de Hegel: é preciso lembrar que, na sua introdução a uma nova edição do "18 Brumário" nos anos 60, Herbert Marcuse acrescentou um novo enrijecimento: às vezes, a repetição à guisa de farsa pode ser mais terrificante do que a tragédia original.

Em um famoso debate na Universidade de Salamanca em 1936, Miguel de Unamuno lançou uma flechada aos franquistas: "Venceréis, pero no convenceréis" (Vencereis, mas não convencereis). Estaria aqui tudo o que a esquerda pode dizer hoje ao capitalismo global triunfante? A esquerda está predestinada a continuar desempenhando o papel daqueles que, ao contrário, convencem mas no entanto continuam perdendo (e são particularmente convincentes ao explicar retroativamente as razões da sua própria falência)?

A nossa tarefa é descobrir como dar um passo adiante. A nossa undécima tese deveria ser: nas nossas sociedades, a esquerda crítica só conseguiu até agora desonrar aqueles que estão no poder, enquanto o ponto real é castrá-los...

Mas como podemos conseguir isso? É necessário aprender com os fracassos da política da esquerda no século XX. A tarefa não é praticar a castração no ápice de um confronto direto, mas sim minar aqueles que estão no poder com um trabalho ideológico-crítico paciente, de modo que, mesmo que ainda estejam no poder, deem-se conta de repente que os poderosos encontram-se novamente falando com vozes inaturalmente finas.

Nos anos 60, Lacan chamou o jornal da sua escola, que foi publicado de maneira irregular por um breve período, de Scilicet. A mensagem não era o significado hoje predominante da palavra ("isto é", "ou seja", "quer dizer"), mas literalmente "é permitido saber". (Saber o quê? O que a Escola Freudiana de Paris pensa sobre o inconsciente...). Hoje, a nossa mensagem deveria ser a mesma: é permitido saber e comprometer-se plenamente no comunismo, agir novamente em plena fidelidade à ideia comunista. A permissividade liberal é da ordem do "videlicet" – é permitido ver –, mas o fascínio pela obscenidade que nos foi permitido observar nos impede de saber o que é que vemos.

Moral da história: o tempo da chantagem moralista liberal-democrática acabou. Não devemos mais continuar justificando-nos. Enquanto seria melhor para eles começar a fazer isso logo.

"O espectro do marxismo"

Postado por Attman e Kamadon

Conferência sobre "a ideia de comunismo" proposta por Alain Badiou e Slavoj Zizek é reunida em livro.





A reportagem é de Leneide Duarte-Plon e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 09-05-2010.





A luta de classes está de volta. O espectro de Marx reaparece para mostrar que a "ideia do comunismo" e sua utopia igualitária não morreram, apesar dos desvios e dos estragos feitos a elas pelo "socialismo real" e pelos totalitarismos que dele resultaram. Num momento em que o capitalismo triunfante parecia ter definitivamente enterrado Marx, 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, 15 filósofos de horizontes distintos resolveram repensar o comunismo.

Esse "pequeno número de filósofos constitui, no mundo de hoje, o pequeno grupo dos que não se intimidam com a opinião dominante", escreve Alain Badiou na apresentação do novo livro "L'Idée du Communisme" (A Ideia do Comunismo, ed. Lignes). A obra traz as 15 exposições proferidas na Conferência de Londres, em maio do ano passado, por iniciativa de Alain Badiou e Slavoj Zizek.

Na apresentação, Badiou declara que tanto ele quando Zizek tinham certeza de que "repor em circulação esse velho vocábulo magnífico, não deixar os partidários do capitalismo liberal globalizado imporem um balanço pessoal de sua utilização, relançar a discussão sobre as etapas e os desvios inevitáveis da emancipação histórica da humanidade toda eram uma tarefa necessária para o que hoje se mostra dramaticamente ausente: uma independência total de pensamento diante do consenso ocidental "democrático" que apenas organiza universalmente sua própria e deletéria continuação desprovida de sentido".

O filósofo Jacques Rancière escreve: "A "crise" atual é de fato o freio da utopia capitalista que reinou sozinha durante os 20 anos que se seguiram à queda do império soviético: a utopia da autorregulação do mercado e da possibilidade de reorganizar o conjunto das instituições e das relações sociais, de reorganizar todas as formas de vida humana segundo a lógica do livre mercado".

Apresentadas em ordem alfabética, as conferências de Alain Badiou, Judith Balso, Bruno Bosteels, Susan Buck-Morss, Terry Eagleton, Peter Hallward, Michael Hardt, Minqi Li, Jean-Luc Nancy, Toni Negri, Jacques Rancière, Alessandro Russo, Alberto Toscano, Gianni Vattimo, Wang Hui e Slavoj Zizek abordam diferentes aspectos do pensamento comunista.

O filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek conta que, numa reunião de lacanianos em Buenos Aires, em 2008, encontrou um grupo de psicanalistas venezuelanos, ferrenhos opositores do regime de Hugo Chávez. Alegavam que o presidente venezuelano fosse "violento e criminoso".

Zizek escreve: "Eles esqueciam que o regime precedente, no qual milhões de pobres vivendo em favelas eram excluídos da riqueza gerada pelo petróleo, era, em todos os sentidos, mais violento e criminoso. Trata-se de um exemplo claro da maneira como a classe tangencia a visibilidade (invisível) da violência: a brutalidade policial cotidiana para com os pobres é invisível, enquanto a menor perturbação da rotina das classes médias é condenada como um ato de violência".

Polêmica

Inimigos de Badiou o acusaram, em fevereiro, de "terrorista de salão", "mestre perverso" e "velho perdedor", em texto no semanário francês "Marianne".

O filósofo francês mais lido e comentado no mundo enche mensalmente o enorme anfiteatro da École Normale Supérieure, em Paris. Pessoas de todas as idades se deslocam para ouvir seu seminário sobre Platão. Mas seus inimigos não perdoam o fato de fazer ressurgir o espectro de Marx. Ainda neste ano, uma conferência em Berlim prolongará a reflexão sobre a "ideia de comunismo".

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Imaginando que é

Postado por Kamadon

Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'









Você sabe por que a maioria das pessoas não consegue ser maluco beleza?

Participante: Porque elas se policiam demais...

Não. Sabe por que você não é feliz? Sabe por que não é maluco beleza? Porque sabe o que é ser feliz, sabe o que é ser maluco beleza. Quando você sabe o que é ser alguma coisa é sinal de que segue um padrão de ser. Sendo assim, quando você acha que é, não é, pois está apenas seguindo um padrão...

Você não consegue ser feliz porque sabe o que é ser feliz, ou seja, estabeleceu um padrão do que é ser feliz. Mas, este padrão é apenas criação da mente e não realidade. Sendo assim, quando você imagina que alcançou a felicidade, não fez nada, pois apenas seguiu mais um padrão da mente...

Quando alguma coisa se torna difícil na sua vida, você se torna infeliz. Por que? Porque a dificuldade não está dentro do padrão criado pela mente para ser feliz.

Na verdade, esta infelicidade não é ocasionada pelo que acontece, mas como uma criação da mente. Ela cria o padrão do que é ser feliz, você o aceita; ela cria a ideia da dificuldade em alguma coisa e diz que isso não está dentro dos padrões de ser feliz, você aceita, então o sofrimento.. .

Na verdade você é infeliz porque o seu senhor lhe disse que é. Como você acha que é a mente, só faz o que ela manda.

Sabe, vocês não são escravos da mente, não... O escravo é sempre revoltado contra o senhor dele, mas vocês não se revoltam contra a mente. Pelo contrário: adoram ser ela...

Na verdade, vocês são como cavalos que usam antolhos e que vão todos felizes andando para frente sem olhar para o lado. Como esses cavalos, também acham que são vocês que estão querendo ir para aquele lugar...

Vocês são como os bois que vão para o matadouro. A mente vai lhes levando para o matadouro e vocês vão felizes por aquele caminho sem imaginar o que os espera no final...

Não, vocês não são escravos, pois para ser isso precisariam tentar se libertar do jugo do seu senhor. Mas, vocês não querem se libertar da mente... Na verdade querem ser a mente...

Sabe, a mente cria um padrão do que é ser live e, como adoram ela, vocês querem essa liberdade para vocês. Mas, essa liberdade é a prisão...

Sabe o que é ser livre? É ser livre... Mesmo estando preso...

A liberdade não pode ser explicada, pois se criarmos um padrão do que é ser livre estaremos presos a estes padrões. Ou seja, só vamos nos sentir livres quando cumprirmos o padrão...

Não, ser livre é ser livre... Mas, vocês só se dizem livres quando se veem enjaulados pela norma que a mente cria dizendo o que é ser livre...

Na verdade quando vocês se sentem livres, estão presos. Pior: escolheram ser presos...

O 'eu' mental

Postado por Kamadon

Retirado do estudo 'Em busca da felicidade'









Participante: Esse é o problema... Estou tentando me libertar, talvez da forma errada. Estou sendo enganado achando que fiz e não fiz. Eu percebi isso. Fico confuso por isso, mas não fico confuso por isso... Enfim, não estou fugindo da realidade: estou vivendo essa confusão toda, essa ilusão toda...

Aí é que está o problema: você está vivendo ela enquanto estou dizendo para você não compactuar com o que a mente cria.

O problema é que você está vivendo o problema que a mente está criando. Está vivendo as certezas, as dúvidas, as angústias, as verdades e valores que a mente cria. Quando é que você vai viver você mesmo?

Este é que o grande detalhe que vocês até agora não perceberam. Vocês estão vivendo o que a mente diz para viverem. Estão sendo aquilo que a mente está dizendo para serem.

Como já me disseram muitas vezes: 'É muito difícil fazer o que você diz'... Porque as pessoas me dizem isso? Porque estão vivendo as dificuldades que a mente cria. A mente cria a dificuldade e o conceito de ser difícil e vocês vivem o que ela cria, sem nem sequer terem começado a tentar...

. Entendam isso... Toda luta pela liberdade da mente cria tem uma só finalidade: você não ser mais ela. Ou melhor, reconhecer que tudo aquilo que ela diz é ela que é e não você. É ela que fica nervosa, ansiosa ou confusa e não você.

Se querem fazer qualquer coisa neste caminho, precisam entender algo fundamental. ..

Quem é você, moço?

Participante: Eu sou o que eu penso...

Você não é o que pensa. O que você pensa é você...

Você não é o que pensa ser, porque você não tem pensamento para dizer quem é você... Na verdade, quem a mente pensa que você é, você é... Isso porque, quando a mente fala 'eu', está falando dela mesmo e não de você...

Entenda isso. Quando você me disse que estava com calor, esse estar é um pensamento. O calor que você está sentindo foi criado por um pensamento. Sendo assim, o 'eu' que está com calor não é você, mas a mente... A mente está com calor, não você...

Quando a mente lhe disse para você ficar chateado com o outro, não foi você que ficou chateado, mas ela própria. O 'eu' das frases mentais (pensamentos) é a própria mente e não você...

Você acabou de me dizer que está confuso, mas isso não real: quem está confusa é a mente e não você. Outra pessoa me disse que acha difícil colocar em prática o que falo, mas não é ele que acha e sim a mente.

O você real, não pode ficar nem deixar de ficar confuso nem achar que é difícil ou não... Para que você ficasse confuso, teria pelo menos que saber quem é você, como vive e como acontece. Mas, você não sabe nada disso...

Neste estudo já disse diversas vezes: o observador não é conhecido... Então você não é o 'eu' que está no pensamento. Todo 'eu' utilizado pela mente é ela mesmo...

Quando lhe acontece um pensamento qualquer que comece com a palavra 'eu', esse 'eu' é a mente e não você. O José é a mente e não você... É isso que vocês precisam entender...

Portanto, lhe respondendo, digo que não dá para você saber se está ou não fazendo algumas coisa, pois este 'eu' do pensamento que diz que está fazendo ou não é a mente. Além disso, a própria ideia de estar fazendo ou não é apenas uma ideia e não uma realidade.

A vida daquele que alcança a felicidade é impessoal... Nela não há sujeito. Se houver, é só a mente. Para quem busca a felicidade, ela é o único sujeito que existe numa oração. Isso porque tudo que é sujeito da oração, ou seja, agente da ação, é mente. Você não faz ou deixar de fazer, de compreender ou não, de sentir ou não coisa alguma. É a mente que cria tudo isso...

Portanto, comecem a pensar nisso: não existe 'eu'. Se há um, ele chama-se mente, não eu, o observador. .

domingo, 2 de maio de 2010

A ayahuasca deve ser proibida?

Postado por Kamadon

Com o recente caso da morte do cartunista Glauco, muita discussão vem sendo feita e inclusive uma campanha promovida por deputados evangélicos para proibir o uso da ayahuasca, a “erva do demônio”, segundo eles.

Nas últimas semanas recebi vários e-mails perguntado se eu era a favor ou contra o uso da ayahuasca e se ela deveria ser realmente proibida. Eu respondi que não era a favor e nem contra, apenas não tinha interesse ou vontade de usar essa bebida. Eu prefiro o caminho da meditação para se alcançar estados ampliados de consciência. Mas defendo que ela não deve ser proibida.

Como ensina Paulo de Tarso, tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém. Ou seja, se eu quero usar determinado produto, eu tenho o direito de usar, mas preciso também assumir as conseqüências de meus atos.

Em 2005, após tomar o chá, escrevi um artigo. Vira e mexe o artigo é republicado em listas na Internet. Por causa disso, resolvi o reescrever, acrescentando informações que na época eu não dei valor. Uma delas, por exemplo, foi quando pedi permissão para me levantar e o focalizador do ritual me disse o seguinte: “não faça mais esse gesto! Sem entender, perguntei qual era o gesto. Ele me explicou que eu fiz um movimento involuntário com as mãos e, aquele movimento, era o cumprimento dos Exus. Hoje eu interpreto que foi algo positivo. Na certa, eu tinha algum Exu do lado me protegendo e o mesmo se manifestou através daquele gesto com as mãos para transmitir alguma coisa para o focalizador. Por exemplo, algo como “este está sob nossa proteção”.

Tenho um amigo, ex-aluno da escola onde leciono, que sempre vê um Exu ao meu lado. Ele diz que ele me protege dos constantes ataques que recebo. Segundo ele, sem tal proteção eu estaria perdido, pois, em suas palavras, meu trabalho é muito combatido do “lado de lá”. Se for verdade, pois não vejo, não ouço e não sinto nada, agradeço a Deus pela oportunidade de fazer este trabalho espiritualista e também pela proteção a mim garantida.

Mas reforço que eu, particularmente, apesar de não sentir vontade ou desejo de tomar ayahuasca, sou favorável que o seu uso continue liberado e cada um faça o melhor uso possível, garantindo o seu livre-arbítrio. Ontem, por exemplo, eu estava em um supermercado e, perto dos caixas, havia uma superexposição de sorvetes e chocolates. Uma mulher, na fila, falou assim: “deveria ser proibido colocar essas tentações tão perto do caixa”. E eu respondi: “é para você provar a si mesma se é capaz ou não de resistir à tentação. você pode escolher sofrer ou não por causa dessa imagem.” O mesmo vale para tudo que nos causa prazer ou desprazer. Por isso a causa do sofrimento humano são os apegos e as aversões, já ensinava Buda.


Texto escrito por Adilson Marques

sábado, 24 de abril de 2010

Gerald Cohen: Em busca de uma alternativa socialista

Postado por Attman e Kamadon

“O Socialismo”, disse Albert Einstein, é a tentativa da humanidade “superar e sobrepujar a fase predatória da evolução humana”; e, para Gerald. A. Cohen, “todo mercado (...) é um sistema predatório”. Essa é a essência do último livro de Cohen, considerado pelo The Guardian como o maior filósofo político marxista dos nossos dias. O propósito do autor, que morreu em agosto de 2009, é assentar o que chama de as bases “preliminares” - uma tentativa que, afinal, bem poderia chegar a ser derrotada por realidades inexoráveis – de uma alternativa socialista.



Ellen Wood - Sin Permiso




“O Socialismo”, disse Albert Einstein, é a tentativa da humanidade “superar e sobrepujar a fase predatória da evolução humana”; e, para Gerald. A. Cohen, “todo mercado (...) é um sistema predatório”. Tal é a essência de seu último livro, breve porém incisivo e elegantemente escrito (Cohen morreu em agosto passado). Seu propósito é assentar o que chama de as bases “preliminares” - uma tentativa que, afinal, bem poderia chegar a ser derrotada por realidades inexoráveis – de uma alternativa socialista. É desejável, pergunta-se, e se desejável, factível, construir uma sociedade movida por algo que não seja a predação, que não responda às motivações “mesquinhas”, “baixas”, “repugnantes” do mercado, mas que esteja antes dirigida por um compromisso moral com a comunidade e com a igualdade?

Em seu estilo caracteristicamente lúcido, comprometido e delicadamente humorístico, Cohen começa imaginando um grupo de pessoas numa excursão para um camping. Nessas circunstâncias, sugere que a maioria das pessoas seriam “vigorosamente a favor de uma forma socialista de vida, preferindo-a outras alternativas factíveis”, comportando-se assim, pois, conforme aos princípios de igualdade e de comunidade, muito distintos dos que governam o comportamento normal no mercado. A questão é se esses princípios do acampamento poderiam ou deveriam ser postos em prática por obra do conjunto da sociedade. Na sua opinião, isso seria desejável para evitar os resultados necessariamente injustos dos mecanismos de mercado e as desigualdades que os acompanha. Mas é factivel?

Sobre isso, o veredito está por se pronunciar. É importante, insiste Cohen, distinguir entre dois tipos muito diferentes de obstáculos, os que emanam das limitações da natureza humana e os procedentes das limitações da tecnologia social; e conclui que nosso principal problema não é o egoísmo humano, mas a “carência do que chamamos de tecnologia organizativa adequada”. Trata-se, em outras palavras, de um problema de design. Mas, o fato de que não saibamos como desenhar a maquinaria social que teria de funcionar no socialismo não significa que nunca o poderemos ou que nunca o quereremos.

Cohen foca na idéia do “socialismo de mercado”, um sistema que estaria ainda fundado no mecanismo de preços, mas que evitaria a concentração de capital que gera o grosso das desigualdades do mercado capitalista. Isso, para ele, seria melhor que nada. É “o gênio do mercado que recruta motivações de baixa qualidade para fins desejáveis”; mas, o que os socialistas de mercado esquecem é que também há efeitos indesejáveis e que também esse seu tipo de mercado se orienta conforme esses motivos “mesquinhos”. Assim, pois, ele preferiria seguir buscando um meio de obter efeitos econômicos produtivos fundado em outras motivações.

As preocupações morais da filosofia de Cohen e – na sua análise dos mercados – e sua ênfase na moralidade das motivações poderiam parecer, à primeira vista, muito distantes; até diametralmente opostos à obra com que começou a se tornar conhecido: Karl Marx's Theory of History: A Defense (1978). O necrológio de Cohen publicado no The Guardian, em que ele é descrito como “comprovadamente o principal filósofo político da esquerda”, falou desse livro como de uma “reinterpretação revolucionária da teoria marxista”. Na realidade, o que Cohen produziu foi algo ainda mais audacioso. Era menos uma reinterpretação de Marx que uma defesa cerrada da interpretação mais ortodoxa.

É verdade, como se disse no Guardian, que aquilo que Cohen e seus colegas “marxistas analíticos” gostavam de chamar de o “no-bullshit Marxism” ou o “marxismo não charlatão”(1) arrastaram a teoria marxista para o vão da “ciência social burguesa da corrente principal”, aplicando-lhe as técnicas linguísticas e lógidas da filosofia analítica; só isso já era uma façanha. A teoria que ele defendia, cuja substância era um determinismo tecnológico, devia menos a Marx que a intérpretes posteriores, como Georgi Plejánov; mas terminou sendo tomada como a essência do materialismo histórico, no modo como o entendiam tanto os ideólogos dos partidos comunistas quanto os antimarxistas mais furibundos. O que tornou o projeto de Cohen ainda mais notório foi que, na época em que publicou sua defesa, essa ortodoxia tinha sido vigorosamente desafiada por historiadores que trabalhavam na tradição marxista, desde E.P.Thompson a Robert Brenner; e o velho determinismo tecnológico já tinha cedido espaço a interpretações muito diferentes de Marx.

É verdade que, uma vez descoberto, não é provável que todo progresso chegue a desaparecer por completo. Mas a compulsão primordial de melhorar constantemente as forças técnicas de produção não é uma lei geral da história. É, para bem ou para o mal, uma característica específica de uma forma social, o capitalismo. Seu modo particular de exploração, à diferença de quaisquer outro gera, como condição mesma de sua sobrevivência, uma compulsão implacável de melhorar a produtividade e, assim, de rebaixar os custos do trabalho, a fim de satisfazer e maximizar o lucro.

Embora as inevitabilidades históricas do determinismo tecnológico de Cohen tenham sido traduzidas por outros marxistas analíticos na linguagem da “eleição racional”, parecia haver nesse determinismo pouca margem para a eleição moral ou para as motivações morais, como forças históricas dinâmicas. Sem embargo, sua carreira intelectual subsequente se consagrou na questão da justiça e da igualdade socialistas, que estão no núcleo de seu último livro. Pareceria um caminho distante desde sua peculiar variedade de marxismo; e, visto que terminou descrevendo a si mesmo como um “ex-marxista”, poderíamos nos ver tentados a deixar as coisas assim, limitando-nos a concluir que, tendo repudiado o marxismo, e com ele quaisquer ilusões sobre o curso necessário da história, restou livre para pensar sobre o socialismo, não em termos de algo historicamente inevitável, mas como uma opção moral.

As coisas, porém, não são simples assim. Se contrastarmos o marxismo de Cohen com outras versões disponíveis, o que salta aos olhos é a congruência entre seu precoce determinismo tecnológico e sua filosofia moral dos últimos anos de vida. Não só porque seguiu apaixonadamente compromissado, como ex-marxista não menos que como marxista ortodoxo, com os valores socialistas e em especial com a igualdade. O certo é que sua teoria da história também está conectada com sua filosofia moral, no sentido de que ambas, afinal, são a-históricas. Isso é óbvio o suficiente quando referido nas abstrações da filosofia analítica, mas parece algo estranho se atribuído a uma teoria da história. O fato é que resulta extremamente difícil sustentar esse tipo de determinismo transhistórico [em termos kantianos, transcendental], sem se desinteressar dos processos históricos: não só das particularidades e das contingências do tempo e lugar, mas dos princípios diferencialmente operantes em cada modo específico de organizar a vida social.

(1) Bullshit é expressão da língua inglesa falada nos EUA e muito popular, que o filósofo Harry Frankfurt tomou de empréstimo para se referir a trabalhos intelectuais que não são exatamente nem falsários nem mentirosos, mas algo ainda pior, porque o falsário ou mentiroso são capazes de distinguir o verdadeiro do falso, ao passo que o bullshiter perdeu até essa capacidade.

(*) Ellen Meiksins Wood foi durante muitos anos professora de ciência política e filosofia na York University de Toronto, Canadá e também fez parte do comitê editorial da New Left Review. Entre 1997 e 2000 co-editou, junto com Paul Sweezy e Harry Magdoff, a revista estadunidense Monthlly Review. De orientação marxista, Wood publicou recentemente: “Citizens to Lords: A Social History of Western Political Thought from Antiguity to Middle Ages (Verso, London, 2008), The Origin of Capitalism: A Longer View (Verso, London, 2002). No Brasil, a Boitempo Editorial publicou Democracia contra Capitalismo: A Renovação do Materialismo Histórico, em 2003.

Tradução: Katarina Peixoto